Uma semana após recusar a participação na discussão de questões específicas da reforma agrária com o governo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ameaça fazer uma nova série de invasões a partir de abril. A decisão é motivada pela discussão da privatização no País de instituições como Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e Petrobrás e tem o objetivo, também, de acelerar a liberação de recursos para os assentados. O principal líder do MST, João Pedro Stedile, anunciou ontem, em Brasília, que todos os filiados do movimento vão ocupar as agências do BB e da CEF, caso o governo decida realmente privatizar as instituições.
Além do BB e da CEF, Stedile afirmou que o MST não aceitará a privatização da Petrobrás, por entender que essa e as outras instituições ‘‘não são do governo’’, mas de ‘‘todo o povo brasileiro’’. Stedile ameaçou mobilizar toda a base do MST para a ocupação em bloco das agências bancárias e disse que a decisão do movimento é uma forma de ‘‘combater o modelo neoliberal’’ adotado pelo governo. ‘‘Quero dar um recado ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso: que não invente de privatizar essas empresas’’, disse Stedile. O líder sem-terra recebeu o apoio de mais de 200 representantes de funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em todo o País para sua idéia de ocupar as agências bancárias, ao fazer seu discurso como convidado especial do Encontro Nacional dos Servidores do Incra.

mockup