MST ameaça fazer vigília no Planalto
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Gilse Guedes De Brasília Agência Estado 
A coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estuda a possibilidade de fazer uma vigília em frente ao Palácio do Planalto para pressionar o governo federal a reabrir as negociações. Um dos coordenadores do MST, Gilberto Portes, disse ontem que os sem-terra não sairão das proximidades da fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Portes não descartou a hipótese de reforçar o número de agricultores no local.
O movimento, disse, avalia propostas de novas ocupações de terra, marchas pelo País e invasões de prédios públicos. Esta última possibilidade é a mais remota, na sua avaliação. A decisão sobre a estratégia a ser seguida pelo MST será tomada na segunda-feira, com base em assembléias nos 504 acampamentos do País. As reuniões começaram ontem.
Gilberto Portes disse que o MST não desmontará os acampamentos em frente às sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em nove capitais, condição imposta pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, para a retomada das negociações. Os assentados não têm o que fazer, porque não há recursos, por isso não vamos voltar para casa, disse. Não recuamos nem um passo até que o governo atenda as nossas reivindicações.
O líder não acredita na invasão da fazenda Córrego da Ponte. Se quiséssemos invadir, já teríamos invadido, estamos lá pela simbologia, pelo que representa para o movimento.
Em documento divulgado ontem, o MST mantém as críticas ao governo e reforça os ataques ao ministro. Agora, o ministro Jungmann, com toda sua empáfia, nos exige que regressemos aos nossos acampamentos e assentamentos, diz o texto. Talvez ele queira ter mais tranquilidade para fazer sua viagem de 15 dias para Europa para enganar mais alguém por lá, afirma em outra parte do documento. De acordo com Portes, o MST aceitou os principais pedidos feitos pelo governo, como as desocupações dos prédios do Incra e a retirada dos sem-terra da frente da fazenda. O que mais eles querem?, questionou.
O líder informou ainda que o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello, prometeu fazer um contato com integrantes do governo na tentativa de resolver o impasse. A coordenação participou hoje de um encontro na CNBB, que foi a interlocutora do movimento nas últimas negociações. Em julho houve uma reunião do MST com Fernando Henrique, na qual foi discutida a pauta de reivindicações dos sem-terra. Representantes do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, também fizeram contato com MST e receberam a pauta do movimento.


