Dois coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile e Gilmar Mauro, disseram ontem que poderão surgir novos grupos de sem-terra, mais radicais. Stédile negou qualquer vínculo entre a entidade e os invasores da fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul (PR), que espancaram um fazendeiro e funcionários da propriedade. Ele afirmou que o MST vai intensificar a ocupação de terras por grupos organizados, numa estratégia para impedir esse tipo de ação, chamada de isolada.
‘‘Somos contra a violência e a tortura e não temos ligação com o grupo de famílias que está na fazenda’’, afirmou. ‘‘Mas se não conseguirmos construir movimentos sociais que contemplem o pequeno agricultor e envolvam os sem-terra em grandes mobilizações, tenderão a se multiplicar ações localizadas e espontâneas que, em geral, resultam em violência’’.
Outro coordenador dos sem-terra, Gilmar Mauro, previu o surgimento de novos grupos de trabalhadores rurais, mais radicais. Para Mauro, que participou ontem, no Rio, do 10º Encontro Nacional dos Eletricitários, a violência seria a forma de pressão dos novos grupos, porque não têm espaço e seu objetivo são ocupações isoladas, não a reforma agrária em todo o País. ‘‘A tendência é acontecerem mais conflitos como os do Paranᒒ, disse.
Para Stédile, apenas a pressão do movimento organizado dos camponeses sobre o governo pode encaminhar alguma solução. ‘‘Se o governo não mudar a política econômica em relação aos pequenos agricultores, o campo vai se tornar um barril de pólvora’’, avaliou.
O MST, disse Stédile, vai se esforçar para mostrar à sociedade que seus métodos de luta não incluem ações violentas - e afastou a hipótese de o movimento encampar a luta das 62 famílias invasoras da Fazenda Cordilheira. ‘‘Esse é um problema entre o Ministério da Reforma Agrária e aquele grupo de famílias, do qual queremos distância.’
A prioridade do movimento no Paraná, segundo Stédile, é a luta de 8.800 famílias acampadas em 140 áreas de conflito.

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