MST acusa Secretaria de grampear telefones
A chegada dos sem-terra a Curitiba está acompanhada de acusações contra a Secretaria de Segurança Pública. O coordenador do MST, Roberto Baggio, denunciou ontem que partiu da secretaria, no mês passado, uma ordem para grampear os telefones do movimento na capital. ‘‘O governo faz espionagem política, grampeando telefones das secretarias do movimento’’, afirmou Roberto Baggio. Os grampos relatariam conversas de lideranças do MST.
Nessas conversas, as lideranças criticavam as arbitrariedades policiais cometidas durante as desocupações e a postura da juíza Elizabeth Khater, da comarca de Loanda. Khater é acusada de festejar com fazendeiros e policiais o resultado de desocupações. Roberto Baggio disse que soube dos grampos através de especulações da própria imprensa, ocorridas na quinta-feira passada. ‘‘Isso demonstra um abuso de autoridade e violação da constituição’’, observou.
Para o coordenador do MST, o suposto caso de grampo contra o MST representa ‘‘uma prática normal de quem historicamente esteve envolvido em casos de grilagem de terras e violência no campo’’. O MST acusa a Secretaria de Segurança de conivência com fazendeiros que formam milícias armadas para evitar invasões. ‘‘Queremos saber qual é a finalidade destes grampos. Isso é uma espionagem de guerra, só que os agricultores não querem guerra, mas terra para poder sobreviver’’, complementou Baggio. O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, declarou desconhecer qualquer indícios de grampos nos telefones das secretarias do MST.
‘‘Não sei, é uma novidade para mim, vou verificar’’, respondeu. Em seguida disse que ‘‘esse tipo de acusação infundada tem efeito negativo para o MST. Quanto mais eles lançarem as acusações mentirosas, mais um vez a sociedade constata que estas pessoas só querem mesmo é constranger o governo perante a opinião pública.’’ (D.V.)

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