MST acusa polícia de espancar trabalhadores
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Agência Estado 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de Pernambuco (MST-PE) denunciou ontem que três sem-terra foram espancados e dois tiveram suas orelhas perfuradas com grampeador de papel, anteontem à tarde, nas dependências da Companhia Independente da Polícia Militar em Cabrobó, a 606 quilômetros do Recife. A delegada plantonista Lúcia Custódio, que lavrou o flagrante dos sem-terra, presos por desacato e resistência à polícia, admitiu que as orelhas de dois trabalhadores estavam com furinhos, iguais aos que o grampeador deixa no papel.
Segundo ela, os presos não tinham marcas no corpo, porém observou que isso não significa que eles não tenham sofrido as agressões denunciadas - socos, pontapés e tapas nas orelhas. A delegada encaminhou os três ao Hospital de Cabrobó, onde o médico de plantão, de acordo com ela, constatou as perfurações nas orelhas. O comandante da Companhia, major José Manoel Rodrigues Batista, disse desconhecer a tortura e mostrou-se indignado com a acusação.
Os sem-terra agredidos são Luiz dos Santos da Silva, de 30 anos, Édson Alves dos Santos, de 18, e Antônio Carlos de Oliveira, 28. Eles pertencem ao acampamento Aracapá, em Orocó, município vizinho de Cabrobó, no sertão do São Francisco. De acordo com o major Batista, houve um roubo de carga de caminhão na noite do sábado (sem vinculação com o MST) e o motorista do veículo disse que a carga havia sido desviada para as proximidades do Aracapá.
No domingo, ele designou um grupo de policiais militares para investigar a área. O oficial disse que os sem-terra resistiram e desacataram os policiais, impedindo-os de fazer seu trabalho. Por causa disso, os PMs prenderam três deles - por volta das 11 horas - e os levaram para a Companhia Independente, onde ficaram à espera da delegada plantonista, pois no fim de semana a delegacia local fica fechada. A delegada chegou no final da tarde, fez o flagrante, prendeu-os e os liberou às 23 horas mediante pagamento de fiança (R$ 50,00 cada um).
O MST afirma que os policiais chegaram no acampamento e, sob o argumento de que o juiz da comarca queria falar com eles, levou-os direto para a Companhia Independente, onde eles teriam sido agredidos durante toda a tarde. O advogado do MST, João Arnaldo, disse estar estudando a possibilidade de processar os policiais. Ele adiantou que os três sem-terra vão prestar queixa contra os PMs.


