Curitiba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem uma dívida histórica de R$ 18 milhões por danos ambientais provocados na natureza nas ocupações realizadas desde 1991 no Paraná. Nesses 13 anos de atuação do MST no Estado, os sem-terra atingiram uma marca de R$ 3,8 mil em multas por dia. A cada ano, são R$ 1,4 milhão em multas nunca pagas pelo movimento. Depois de aplicada a multa, o MST recorre e mesmo perdendo em todas as instâncias, continua sem pagar o valor devido.
''É um passivo que existe. Infelizmente temos consciência que o MST não vai pagar essa dívida. Entretanto, as multas são um ataque à imagem do movimento como um agressor ambiental. Espero que isso sirva para que os sem-terra repensem as invasões daqui para frente e comecem a agir com consciência ambiental'', declarou o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão responsável pela aplicação das multas, Rasca Rodrigues.
A última multa aplicada pelo IAP foi anteontem. O MST foi multado em R$ 230 mil pela destruição de dez nascentes na Fazenda Quatro Erres, no Complexo Cajati, em Cascavel, onde 1,2 mil famílias estão acampadas. Os sem-terra retiraram toda a vegetação em volta das nascentes e movimentaram a terra para evitar riscos do aparecimento de cobras e mosquitos. Nessas águas, os acampados tomam banho, fazem alimentos e tomam água diariamente.
De acordo com Rodrigues, a área é de preservação ambiental e não poderia ser modificada. ''Os técnicos do IAP que fizeram a vistoria perceberam que os homens não queriam falar sobre a alteração ambiental e o dano causado ao meio ambiente. As mulheres informaram que as alterações foram feitas por motivo de segurança'', explicou. Os técnicos não conseguiram identificar os autores do dano ambiental. Por esta razão, o IAP optou por aplicar a multa ao MST. ''Não teria cabimento multar o proprietário da área, que já teve a terra invadida. O MST é que tem que se responsabilizar pelos danos causados pelos seus membros.''
O IAP acredita que a multa por danos ambientais poderá agravar a situação do MST, que permanece na área mesmo com mandados de reintegração de posse. As nascentes, segundo o IAP, são mananciais do Rio do Sol, que faz parte da Bacia do Solto. Na fiscalização, os técnicos do IAP perceberam ainda que a área ao lado tinha desmate de 65 árvores nativas. A proprietária da Fazenda Castelo foi multada em R$ 19,6 mil. Os autuados têm prazo de 20 dias para recorrer da multa.

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