Curitiba - Cerca de 250 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acamparam, no início da manhã de ontem, em frente à Superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária do Paraná (Incra-PR), em Curitiba. Os manifestantes são parte das 973 famílias do Assentamento Celso Furtado e de acampamentos na região de Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel). Até o início da noite, cerca de 100 manifestantes permaneciam no local e não tinham prazo para levantar acampamento.
Segundo o coordenador do assentamento, César da Silva, a principal reinvidicação do grupo é a execução de um plano de manejo para a propriedade, que tem 390 lotes cobertos por pínus, e que não possibilitam a subsistência das famílias. ''Os assentados não podem retirar a madeira sem que o Incra, proprietário legal da terra, solicite a licença autorizando o corte ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Já faz três anos que estamos nesta luta e, até agora, os projetos não saíram do papel'', afirma.
O grupo também reinvidica a liberação de linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e aquisição de novas áreas para a fixação de 300 famílias que ainda estão em acampamentos da região.
O impasse na liberação do corte das árvores cria dificuldades para os assentados. Carlinhos Paim e Alexandra Aires moram com o filho em um lote de 10,5 hectares coberto quase totalmente pelas árvores. ''Hoje nós estamos sobrevivendo graças a ajuda da minha mãe e com o pouco de dinheiro que conseguimos trabalhando para outras famílias do assentamento ou em fazendas da região'', conta Carlinhos.
Os assentados decidiram pela manifestação porque o Incra não teria cumprido compromisso assumido em reunião realizada no dia 15 de janeiro, na Procuradoria da República, em Cascavel. Na ocasião, o Instituto se comprometeu a efetivar um plano emergencial para o corte de árvores em lotes com área superior a 80% destinados ao reflorestamento e a remuneração das famílias pela extração da madeira
Segundo o Incra, a solicitação da licença ambiental já foi enviada ao IAP, mas a liberação para a retirada da madeira não deve acontecer imediatamente.

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