Londrina- Pelo menos 230 homens, mulheres e crianças de sete acampamentos e assentamentos rurais do Norte do Estado estão desde a manhã de ontem acampados em frente à agência do Banco Brasil localizada no Calçadão de Londrina. A mobilização faz parte do protesto nacional organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina que cobra do Governo Federal a aceleração da reforma agrária, liberação de crédito, renegociação de dívidas, assistência técnica às familias assentadas e a liberação das cestas básicas desde janeiro deste ano. Em Apucarana, a concentração acontece em frente à sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
A intenção dos trabalhadores rurais é manter a mobilização pelo menos até o dia 27 ou até o governo federal sinalizar com alguma proposta concreta. No Paraná, conforme o MST, seriam 20 mil famílias assentadas e mais cinco mil pessoas vivendo em acampamentos.
O membro da coordenação regional do MST na região, Anísio Cardoso, citou que os trabalhadores querem que as dívidas com o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) sejam renegociadas com cinco anos de carência, sem cobrança de juros e que os empréstimos sejam quitados em até 20 anos. Pedem também a elevação do atual teto de R$ 18 mil para cada assentado investir na produção. ''O governo federal tem que encontrar uma forma de fortalecer cada vez mais a agricultura familiar'', pregou Cardoso. Ele lembrou que os ''R$ 7 mil, R$ 9 mil que os trabalhadores recebem para sair de baixo da lona'' não conseguem subsidiar as necessidades de produção nem gerar lucro.
Segundo o coordenador, os assentados hoje enfrentam uma séria crise ''por causa da política agrária do governo voltada ao agronegócio''. Conforme Cardoso, grande parte das famílias subsistem com uma renda mensal de cerca de um salário mínimo e os mais afetados são aqueles que se dedicam à produção de grãos.
Em Apucarana, mais 200 integrantes de de acampamentos da região ergueram acampamento em frente à sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para cobrar a liberação de 9,5 mil cestas básicas deste ano que ainda não chegaram às famílias sem terra. ''Queremos a liberação imediata dos recursos para as quatro distribuições de cestas que estão atrasadas'', apontou o coordenador do MST, José Damaceno.

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