MST abandona encontro contra neoliberalismo
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 06 (AE) - A direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não participará do 2º Encontro Pela Humanidade e Contra o Neoliberalismo, que começou hoje à noite em Belém (PA) e vai até o dia 11. O movimento teria condenado o caráter festivo do encontro, coordenado pelo Partido dos Trabalhadores e que foi aberto pelo prefeito da cidade, Edmilson Rodrigues.
O excesso de discusões sem o caráter deliberativo também teria irritado a direção do MST, que oficialmente não se pronunciou sobre o assunto. O líder do movimento, João Pedro Stédille, não foi localizado.
O MST havia participado das reuniões preparatórias do encontro e sua decisão surpreendeu os organizadores do evento. Segundo uma fonte do MST que preferiu não se identificar, houve "discriminação" na composição da mesa dos trabalhos, composta por representantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (Ezln) , do Médico, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Partido da Refundação Comunista Italiano, Partido Verde, da Alemanha, além de dirigentes das Centrais Únicas dos Trabalhadores.
O subcomandante Marcos, líder zapatista, que não compareceu, mandou uma saudação via internet. "Festa por festa nós fazemos em nossos acampamentos", teria dito um dos coordenadores estaduais do MST, Alcenir Monteiro. Essa declaração foi considerada "não oficial" pelo MST.
Segundo outro diretor do MST no Pará, Raimundo Nonato Coelho de Souza, a decisão de ficar de fora do encontro já havia sido tomada "há muito tempo". Embora não confirme e nem desminta, o MST também não gostou de não terem sido convidadas para o encontro a Confederação Latino-Americana de Organizações Camponesas (Cloc) e a América do Povo de Deus, entidades ligadas às igrejas católicas e evangélicas.


