MSL-AL ameaça saquer supermercado se não receber cestas básicas para sem-terra que participam de marcha
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 14 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de Alagoas (MST-AL) está ameçando invadir e saquear supermercados, a partir de sexta-feira (16), caso o governo não garanta a distribuição de cestas básicas para as cinco mil pessoas que participam da Marcha pela Reforma Agrária, iniciada no fim de semana rumo a Maceió. Grupos de sem-terra caminham para a capital em várias frentes, vindas de todas as regiões do Estado.
O comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Ronaldo Santos, disse que as tropas estão de prontidão para impedir qualquer tentativa de saque por parte dos sem-terra. "A partir desta quinta-feira a PM estará com quatro unidades de prontidão, num total de 1,5 mil homens, para evitar saques e depredações", afirmou. O coronel acrescentou que duas ambulâncias da Secretaria da Saúde serão colocadas à disposição dos manifestantes.
Durante reunião na Secretaria Estadual de Agricultura, com a presença de representantes da PM, secretarios estaduais (Saúde e Agricultura), representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do MST, ficou acertado que os sem-terra acamparão na Praça Sinimbu, no centro da cidade. Ficou definido, também, que o governo do Estado e a prefeitura de Maceió arcarão com a distribuição de alimentos durante o período de permanência dos sem-terra em Maceió. Marcha - A marcha que saiu de Arapiraca, a 142 quilômetros de Maceió no dia 8 com 900 trabalhadores, chegou hoje à tarde no campus da Universidade Federal de Alagoas, onde se encontrou com outros 1.126 sem-terra que também saíram na quinta-feira de Novo Lino, a 98 quilômetros da capital. Eles pernoitam no local e na sexta-feira pela manhã saem em passeata até o centro da cidade, onde já se encontram centenas de sem-terra para uma grande manifestação pela reforma agrária. Ocupação - Hoje pela manhã, cerca de 300 famílias ocuparam a Fazenda Borges, no município de Chã Preta, a 112 quilômetros de Maceió. Segundo a direção do MST no Estado, a fazenda é improdutiva, mas não foi vistoriada pela superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas.
"A ocupação tem como objetivo agilizar o processo de vistoria da área", afirmou Reginaldo Pacheco, da direção estadual do movimento.


