O Ministério da Saúde acompanhará a vacinação contra sarampo nos Estados, no próximo ano, para verificar se está sendo cumprida a meta de imunizar pelo menos 95% das crianças menores de cinco anos. O índice deverá ser obtido em cada um dos municípios, para evitar o surgimento de focos de proliferação da doença no País. O ministério vai monitorar mensalmente a rotina de vacinação dos Estados que, por sua vez, devem cobrar dos municípios os resultados esperados.
A alta cobertura da vacinação foi negociada ontem entre governo federal e Estados no seminário ‘‘Doenças Exantemáticas Febris (enfermidades como sarampo e rubéola). A intenção do governo é reforçar a imunização e a vigilância para alcançar o desafio proposto pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) de eliminar o sarampo até o ano 2.000. ‘‘Cada caso deverá ser tratado como uma epidemia’’, disse ontem o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) do ministério, Jarbas Barbosa.
No ano passado depois de uma epidemia, que atingiu principalmente o Estado de São Paulo, as ações de prevenção foram intensificadas. ‘‘Foi um ano atípico, chegou-se a um índice médio nacional de cobertura vacinal de 100% porque houve epidemia e foram intensificados os esforços’’, conta Barbosa, lembrando que nos anos anteriores a média era de apenas 80%. Mesmo com um índice de cobertura maior, 43% dos municípios não conseguiram alcançar os 95% de crianças imunizadas.
A falta de cobertura homogênea, segundo Barbosa, explica a epidemia de sarampo em 1997 em São Paulo, onde foram registrados 42 mil dos 52 mil casos da doença ocorridos no País. A cobertura média de vacinação no Estado, no ano passado, foi de 100%, mas 75 municípios não conseguiram alcançar os 95% de crianças imunizadas. ‘‘Geralmente, os municípios menores são os que não atingem a meta de vacinação, mas são deles que saem migrantes para as grandes cidades’’, afirmou o diretor do Cenepi.
Além de manter altos e homogêneos os índices de cobertura vacinal, o governo realizará uma campanha de vacinação a cada cinco anos. ‘‘Não adianta a média de cobertura vacinal de um Estado ser alta se em um município houver grupos suscetíveis’’, explicou o diretor do Cenepi. Desde janeiro, até outubro, foram confirmados no País 1.375 casos, tendo o Paraná como principal foco com 674 doentes. Segundo Barbosa, um empréstimo do Banco Mundial de US$ 600 milhões (a metade em contrapartida brasileira) garantirá o apoio do governo federal para capacitação de pessoal e melhoria de qualidade dos laboratórios.
Nenhum país do mundo livrou-se do sarampo, mas Barbosa acha possível atender o apelo da OPAS. ‘‘Se cumprirmos a meta em 99, poderemos não ter casos nossos em 2.000 e, se houver boa vigilância para pegar casos estrangeiros, conseguiremos ficar livre de surtos’’.
A sanitarista Maria Lúcia Mello, do Cenepi de São Paulo, acha difícil cumprir a meta estabelecida. ‘‘A experiência tem mostrado que não se consegue coberturas altas o suficiente na vacinação de rotina’’, disse ela. ‘‘Tem que trabalhar, mas não sei se alcançaremos’’. A média de vacinação de rotina no Estado é de 85%, admitiu.

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