MS pode banir plantio e venda de soja transgênica
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domingo, 21 de março de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 22 (AE) - O Mato Grosso do Sul poderá seguir o exemplo do Rio Grande do Sul e buscar a transformação do Estado em área livre do plantio e comercialização de produtos transgênicos. A informação foi dada pelo secretário da Agricultura gaúcho, José Hermeto Hoffmann, no encerramento de um seminário sobre produção e consumo de alimentos geneticamente modificados, na Assembléia Legislativa.
Na próxima semana Hoffmann vai receber o superintendente da Agricultura (cargo equivalente ao de secretário) do Mato Grosso do Sul, Ernani Guedes. Ele fará um relato das ações do governo gaúcho na identificação e destruição de lavouras experimentais com transgênicos.
O secretário também vai apresentar a legislação atual, que determina o controle de testes deste tipo pelo governo e os projetos em andamento no Legislativo que proíbem o plantio e a comercialização de produtos geneticamente modificados. De acordo com ele o governo está ainda elaborando uma proposta mais rigorosa para regulamentação da produção de sementes, com o objetivo de evitar o desenvolvimento de espécies transgênicas.
Se o Mato Grosso do Sul unir-se ao Rio Grande do Sul, dois dos maiores produtores nacionais de soja deverão colocar fortes barreiras aos testes em curso com autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A maior afetada, neste caso, seria a Monsanto, que está em fase final de suas experiências com a soja resistente ao herbicida Roundup Ready.
Na semana passada a Secretaria da Agricultura gaúcha interditou uma lavoura de 435 hectares da Monsoy próxima ao município de Palmeira das Missões e notificou outra de cinco hectares da mesma empresa perto de Não-Me-Toque. A produção da primeira, que já está em fase bastante adiantada, deverá ser colhida nos próximos dias com acompanhamento de técnicos do governo e em seguida destruída. Ao todo existem mais de 50 áreas com testes de culturas transgênicas no Estado, calcula Hoffmann.
Segundo ele, "não existe nenhuma justificativa de fazer pesquisas com este tipo de cultura porque ele vai no sentido da exclusão dos pequenos produtores". O secretário informou ainda que o governo gaúcho já firmou um acordo com o Ministério Público Federal com a finalidade de acionar a Polícia Federal para destruir lavouras experimentais irregulares.


