Agência Estado
De Mundo Novo
O governo de Mato Grosso do Sul pediu ontem às autoridades paraguaias ajuda nas investigações sobre a participação de traficantes no assassinato da ex-prefeita de Mundo Novo, Dorcelina de Oliveira Folador (PT), ocorrido no último sábado. Segundo o secretário da segurança pública do estado, Franklin Mashua, que chegou ontem a Mundo Novo para acompanhar o inquérito, a ajuda foi pedida por meio do consulado em Campo Grande.
Acompanhado do diretor-geral da Polícia Civil no Estado, Milton Watanabe, e da representante da Defensoria Pública, Nancy Gomes, o secretário informou que a partir de hoje dois delegados da Polícia Federal passarão a ajudar nas investigações, com a atenção voltada para a região da fronteira, por onde o assassino pode ter escapado.
A participação da Polícia Federal foi autorizada pelo Ministro da Justiça, José Carlos Dias, em atendimento a pedido feito pelo governador do Estado, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.
O secretário disse que a polícia chegou a investigar a possibilidade de a ex-prefeita ter feito um seguro de alto valor, mas a Federação Nacional de Seguros e Instituto de Resseguros do Brasil negou a informação. O secretário disse que não há suspeitos até agora.
O vice-prefeito de Mundo Novo, Kleber Corrêa de Souza, foi empossado ontem no cargo de prefeito. Durante solenidade realizada na Câmara Municipal ele foi vaiado por cerca de 700 militantes (segundo cálculos da Polícia Militar ) do PT e do MST. Souza estava rompido com a prefeita assassinada. O diretório do PT entregou documento ao novo prefeito exigindo que ele mantenha todos os assessores da ex-prefeita e que renuncie à sua filiação ao PMDB.
Constrangido, o prefeito disse que pretende se reunir com o diretório do PMDB para discutir o assunto. Durante seu pronunciamento afirmou que buscaria o entendimento com todas as correntes políticas e que manteria o programa de governo de sua antecessora.
O Banco Santos divulgou ontem uma nota afirmando que a dívida não paga da prefeitura de Novo Mundo (MS) com o banco não tem nenhuma relação com o assassinato da prefeita Dorcelina de Oliveira Folador (PT), ocorrido no sábado à noite. A Polícia Civil está investigando a possibilidade de existir uma correlação entre as duas coisas, conforme reportagem do jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’. Segundo a reportagem, a prefeita teria sido procurada por uma pessoa que fez uma proposta de quitação desse débito em troca de dinheiro.
O Banco Santos esclareceu que a operação, no valor de R$ 400 mil, era referente à Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) e foi realizada em 94. Como não foi paga, o banco inscreveu o município no cadastro de inadimplentes do Banco Central. Mas a nota ressalta que tudo isso ocorreu antes da posse da prefeita. O banco explica ainda que, no início da administração de Dorcelina, em 97, foi feita uma proposta de parcelamento desta dívida, mas não foi aceita.
‘‘Em nenhum momento fomos procurados por qualquer autoridade do Estado de Mato Grosso do Sul ou do município de Mundo Novo para tratar desse ou de qualquer outro assunto’’, diz a nota, assinada pelo diretor-superintendente do Banco Santos, Mario Martinelli. O Banco do Brasil foi autorizado a refinanciar as dívidas de prefeituras, no prazo de 30 anos. No caso do município de Novo Mundo, isso não é possível porque, em função deste problema em aberto, qualquer tentativa de acordo é inócua.
Maria Dorcelina Folador foi morta com seis tiros, dos oito que foram disparados de uma distância de cinco metros da varanda dos fundos de sua casa, onde ela estava sentada. O crime ocorreu por volta das 23 horas.

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