O Ministério da Saúde está iniciando um projeto piloto para informatizar todos os serviços de saúde de 34 municípios brasileiros. A licitação para a contratação das empresas foi aberta na semana passada.
A informatização tem por objetivo permitir a implantação da carteira magnética SUS (Sistema Único de Saúde) - um cartão semelhante ao utilizado pelos bancos que trará informações essenciais sobre os pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde.
A fase piloto deve ser concluída até o final deste ano e consumirá cerca de R$ 50 milhões. Participam desta primeira etapa 31 municípios do Estado do Paraná, além de Florianópolis (SC), Niterói (RJ) e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, num total de 3,6 milhões de pessoas.
As fases seguintes, que incluirão todo o País, devem consumir R$ 550 milhões. O ministro da Saúde, José Serra, acredita que elas sejam concluídas em um prazo de cinco a sete anos. Nos Estados Unidos, que também estão informatizando o sistema de saúde, estima-se que todo o processo esteja concluído até 2002. O Ministério da Saúde ainda não definiu quais informações devem constar desse cartão, já que envolve dados pessoais que devem ser mantidos em sigilo.
A privacidade do paciente e os mecanismos para impedir o ‘‘roubo’’ de informações - por seguradoras da área da saúde, por exemplo - estão sendo debatidos no Congresso PEP-99, Prontuário Eletrônico do Paciente, que está sendo realizado até a próxima quarta-feira no Rio de Janeiro. ‘‘O importante é que a informação esteja disponível para aqueles que necessitam dela’’, afirma a médica Beatriz Leão, da Universidade Federal de São Paulo, presidente do PEP-99 e da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde.
Isso significa que o sistema deverá ter mecanismos para que o acesso aos dados seja restrito às equipes médicas. No Brasil, lembra Beatriz, ainda não há legislação sobre a questão.
O ‘‘conjunto de informações essenciais’’ que deve constar do cartão de cada paciente deve ser definido até o final do ano. Outro desafio é a padronização dos termos médicos utilizados. Por exemplo, a palavra obesidade pode ser interpretada de formas diversas por diferentes profissionais.
Uma Comissão Nacional de Padronização do Registro Clínico já vem, há quase dois anos, definindo os termos. Fazem parte da comissão pessoas ligadas a instituições de São Paulo, como o Hospital das Clínicas, a Santa Casa e o Hospital São Paulo, que estão trabalhando conjuntamente.
A intenção, diz Beatriz Leão, é permitir que um médico que atenda hoje um paciente no Hospital das Clínicas possa ter acesso aos exames que ele fez no dia anterior no Hospital São Paulo, por exemplo, o que facilitaria o atendimento dos doentes.
Em parte, essa troca de informações já possível por meio da Internet, dentro da Rede Nacional de Informações em Saúde. Além disso, o cartão magnético e a infra-estrutura de comunicação deverão reduzir o desperdício e as irregularidades, bem como otimizar o atendimento.Arquivo FolhaLongo prazoJosé Serra: projeto de informatização de toda a rede deve ficar pronto num prazo máximo de sete anosQuando o projeto estiver concluído vai ter custado perto de R$ 550 miAgência Folha

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