MS discute aumento no rigor da lei para quem não vacina gado contra aftosa
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 24 (AE) - Uma lei mais severa com os fazendeiros que não vacinarem o rebanho bovino contra a febre aftosa é o que a Assembléia Legislativa de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, começou a discutir hoje. O projeto do deputado Paulo Corrêa (PTB) quer punir com mais rigor proprietários rurais como de Porto Murtinho e Naviraí, responsáveis pelos dois últimos focos da febre aftosa que resultaram na decisão do Ministério da Agricultura de isolar todo rebanho do Estado a partir de primeiro de julho.
Hoje os animais abatidos e todos os custos da operação de controle da doença são pagos pelo governo do Estado. Se o projeto de Corrêa for aprovado, quem arcará com essas despesas será o pecuarista, que também estará sujeito a uma multa.
Os deputados devem aprovar ainda a oficialização da contribuição atualmente compulsória de R$ 0,40 por animal abatido, destinado ao fundo de combate a doenças como a aftosa que colocam em risco a economia do Estado. Com a previsão de abate em torno de 3,2 milhões de cabeças por ano, a arrecadação chegaria a R$ 1,28 milhão.
Crítica - A decisão de isolar a população bovina do Mato Grosso do Sul a partir do dia primeiro de julho, tomada pelo Ministério da Agricultura com apoio dos Estados que integram o chamado Circuito Pecuário do Centro Oeste, recebeu críticas hoje
em Campo Grande, do presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne, Antônio Russo.
O empresário, que é dono do Frigorífico Independência, em Nova Andradina, disse que o bloqueio "é tecnicamente correto da mesma forma que liricamente perfeito". Russo considera que a decisão deveria ter levado em conta também o desastre econômico que provocaria. "Os empresários não foram ouvidos", disse ele. Além disso, Russo afirmou que os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que se tornaram áreas livres da aftosa, ainda não conseguiram conquistar nenhuma fatia do mercado internacional enquanto o Mato Grosso do Sul vende mais carne para a Europa que a Argentina e o Uruguai e a Austrália juntos.
Nas contas do empresário, a partir de julho a carne em São Paulo sobe 20% e a do Mato Grosso do Sul cai nesse mesmo índice pelo excesso de oferta. A migração de gado só não começou ainda, segundo Russo, porque os pecuaristas não acreditam que isso seja verdade.
Em Andradina, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, o presidente do Sindicato Rural Fernando Demário dos Santos
que é veterinário, disse que a medida é inócua e tem motivações muito mais políticas e econômcias que sanitárias. "É uma irresponsabilidade encarecer o custo de vida dos paulistas em nome de um protecionismo sanitário que pode ser preservado através de outras medidas", disse o sindicalista.


