Londrina – O Ministério da Saúde (MS)adquiriu de um novo fornecedor um lote de 52,3 mil frascos do medicamento L-Asparaginase, que é utilizado no tratamento da Leucemia Linfocítica Aguda (LLA), comum em crianças. De acordo com o MS, os remédios já estão sendo distribuídos aos Estados. A quantidade adquirida será suficiente para suprir toda a demanda nacional pelo tratamento por um ano. Hoje, 3 mil crianças usam o medicamento no País.
A aquisição resolve um problema que se arrastava desde dezembro de 2012, quando o laboratório responsável pela fabricação internacional informou que o medicamento não seria mais produzido em virtude do baixo preço de comercialização. A distribuidora do remédio no Brasil comunicou o MS que suspenderia a distribuição a partir do segundo semestre deste ano.
Durante este período os estoques do medicamento ficaram baixos nos hospitais do Câncer (HCL) e Universitário (HU) em Londrina. Os pacientes, no entanto, não ficaram sem o remédio. Entidades que amparam crianças com câncer e pais de pacientes chegaram a reivindicar, através das redes sociais e de manifestações, uma solução por parte do governo federal.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), Carla Pacheco, a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde em parceria com as entidades médicas evitou o desabastecimento do medicamento e o consequente prejuízo ao tratamento dos pacientes.
"No início, nós ficamos temerosos que faltasse o medicamento, pois não há substituto no Brasil e o prazo era apertado. Felizmente, todas as medidas cabíveis para a compra emergencial foram tomadas. Imediatamente após a data anunciada para o encerramento da produção pelo laboratório, o ministério já está abastecendo os hospitais", comentou.
"O L-Asparaginase é um tratamento essencial para destruir as células doentes e aumenta significativamente a chance de cura", explicou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos, Carlos Gadelha.
A presidente da ONG Viver, Jeanine Cotello, confirmou que a distribuição do medicamento está normalizada. "Apesar da apreensão e preocupação de todos naquele momento, conseguimos atender os nossos pacientes e felizmente ninguém ficou sem", afirmou. A entidade atende 280 crianças e adolescentes com câncer em Londrina.
No HCL, onde o estoque chegou a ser de apenas oito caixas, hoje há 140 ampolas. "Ainda não recebemos nenhum comunicado sobre a distribuição deste novo lote, por isso em junho adquirimos 150 caixas. Não dá para saber por quanto tempo este estoque será suficiente, porque dependemos da demanda e quando começa o tratamento o paciente usa uma ampola a cada dois dias", relatou a farmacêutica Josiane Valadão. Hoje, seis pacientes em tratamento no hospital utilizam o medicamento.
O HU informou que o estoque do medicamento está normalizado e os pacientes não correm riscos de ficar sem o remédio.
A partir de 2015, o L-Asparaginase passa a ser produzido no Brasil por meio de parceria entre a Fiocruz e os laboratórios privados NT Pharma e Unitec Biotec firmada em junho. Assim, o País fica livre de ser surpreendido pela suspensão da oferta por uma empresa privada internacional sem atividades produtivas no País, garantiu o MS. (Com Agência Saúde)

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