Campo Grande, 26 (AE) - O governo do Mato Grosso do Sul decide vai intensificar a estratégia de combate aos focos da febre aftosa localizados há uma semana em Naviraí, a 130 quilômetros da divisa daquele estado com Paraná e São Paulo. Ao invés de sacrificar somente o gado comprovadamente contaminado como vinha fazendo, o Departamento de Inspeção e Defesa Agropecuária (IAGRO) iniciou hoje o abate de todos os bovinos das duas fazendas contaminadas pelo vírus.
Deverão ser eliminados das fazendas Nissei e Princesa mais de mil cabeças além das 420 já executadas na semana passada. Setores do governo pretendiam aproveitar a carne dos animais não contaminados que estavam na propriedade, mas essa forma de economizar indenizações não agradou os especialistas e as lideranças de produtores. A coordenação de controle do foco também mudou de chefia, passando do jornalista Osmar Bastos para o veterinário Loacir da Silva, que viajou de Campo Grande para Naviraí. Os bovinos de várias idades estão sendo abatidos a tiro calibre 22, que segundo os técnicos provoca pequena perfuração e pouco vazamento de sangue. Todo gado está sendo enterrado em valas com 2,5 metros de profundidade e somente os profissionais envolvidos podem entrar nas fazendas.
Um dos motivos da mudança nos critérios de abate foram as críticas do próprio Ministério da Agricultura. Além disso as secretarias de agricultura de São Paulo, Goiás e entidades representativas de pecuaristas em vários Estados vizinhos enviaram equipes para analisar os procedimentos de combate e também sugeriram maior rigor no controle dos focos.
O maior problema para os sanitaristas é encontrar a origem do vírus. Os animais que pertencem a Valdir Capucci, dono de um frigorífico no mesmo município, e a Kuniaki Yonekura, não foram vacinados na última campanha de outubro nem possuem documentos de origem.
O presidente da Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrisul), João Adalberto Aiube Ferraz, disse que a entidade aprova os programas de vacinação e combate aos focos de aftosa no Estado, mas condena "meia dúzia de produtores que prevaricam, fazem falcatruas e querem passar por espertos". Para Ferraz o governo deve estudar uma forma de punir com mais rigor, os pecuaristas que "enganam o País" deixando de colaborar e de serem profissionais naquilo que fazem.

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