Istambul, Turquia (AE-AP) - "Mr. Quake" está finalmente de volta, após a terrível noite em que ele sofria por seu país, enquanto um terremoto de 7.4 graus devastava o oeste da Turquia.
Ahmet Mete Isikara, diretor do Observatório e Instituto de Pesquisas sobre Terremotos Kandilli, passou 35 dias e noites em seu instituto, observando agulhas de sismógrafos, falando com autoridades e conversando com os meios de comunicação para explicar aos turcos o que estava acontecendo com o solo abaixo deles. "Nós medimos o pulso dos terremotos turcos. Eu tive de explicar o que estava acontecendo para acalmar as pessoas", disse ele.
Isikara primeiro acalmou sua esposa e seu filho, nas primeiras horas do dia 17 de agosto, quando a terra tremeu fortemente. "Meu Deus, pobre Turquia", recorda ele. Alguns minutos depois, o professor de geofísica estava no trabalho, ao telefone com o secretário particular do primeiro-ministro Bulent Ecevit, a quem ele deveria telefonar em caso de um grande terremoto. Em casos como esse, um carro vem imediatamente até sua casa para levá-lo ao instituto, um complexo de prédios numa pequena floresta que tem vista para Bosporus, no lado asiático de Istambul.
Lá, na cabina dos sismógrafos que medem os movimentos da Terra, canetas que rangem a casa agitação do solo, apresentam o resultado registrado num pedaço de papel. O terremoto matou mais de 15.500 pessoas e destruiu dezenas de milhas de prédios no coração industrial da Turquia.
Mas agora o pior já passou. Isikara retomou suas rotina indo a um jogo de futebol e ao cinema. No dia 20 de setembro ele pôde finalmente fazer as malas e ir para casa, para sua primeira refeição e primeira noite em casa com sua família. Ele não chegou sem avisar: a imprensa seguiu Isikara como a uma celebridade e ele tem aparecido com frequência na primeira página dos jornais turcos.
"Mr. Quake no jogo", dizia a manchete do Star. "O homem mais sexy da Turquia", escreveu o Sabah, jornal de maior circulação aos domingos, fazendo gargalhar o professor de 58 anos, levemente corcunda.
Desde que o forte tremor aconteceu, milhares de turcos têm seguido suas recomendações à risca, incluindo seu conselho para que dormissem ao ar livre quando ele notou movimentos sísmicos que poderiam preceder um novo terremoto, no dia 19 de agosto. Agora, ele tem uma nova mensagem para o público que continua temeroso de um desastre. "O que eu estou tentando mostrar ás pessoas é que nós temos que voltar ás nossas vidas normais", disse ele. "Nós temos que e viver nesta região propensa a terremotos". O território é uma dos mais ativos do mundo em movimentos sísmicos. Somente neste século, mais de 75 mil turcos foram mortos em terremotos.
Os turcos também têm que aprender a viver com os últimos abalos secundários, os quais Isikara acredita, vão continuar por mais dois ou três anos. Alguns podem chegar a mais de 5 graus na escala Richter, apesar de a magnitude desses abalos geralmente diminuir com o tempo.
Um abalo de 5.8 ocorrido há duas semanas matou sete pessoas nas mesmas cidades atingidas pelo terremoto do dia 17 de agosto. Entre várias preparações para abalos sísmicos, Isikara está trabalhando num projeto para instalar monitores ligando o observatório e os escritórios do governo. Este aparelhos devem indicar imediatamente quais áreas foram mais atingidas por um terremoto, permitindo às autoridades distribuir as equipes de socorro e de ajuda adequadamente. Ele quer também que as pessoas em geral preparem-se para o próximo terremoto. A falha Anatólia Norte moveu-se para o oeste neste século, o que significa, para muitos especialistas, que o próximo tremor pode acontecer próximo a Istambul, uma cidade com 12 milhões de habitantes. "A população deveria comprar kits para terremoto, como na Califórnia ou no Japão, com lanternas, material de primeiros socorros e um alarme", disse ele.

mockup