MPT flagra adolescentes em trabalho escravo
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Guarapuava Os responsáveis por uma carvoaria do distrito de Palmeirinha, em Guarapuava (Centro), assinaram um termo de ajuste de conduta (TAC) no Ministério Público do Trabalho (MPT) para regularizar a situação relacionada a trabalhadores adolescentes que estavam atuando na empresa em condições análogas à escravidão. O Conselho Tutelar de Guarapuava Adolescentes realizou no dia 22 de outubro, a pedido do Ministério Público do Trabalho, uma fiscalização no local e flagrou adolescentes trabalhando na carvoaria. A denúncia foi sigilosa e a ação realizada na própria Procuradoria Regional do Trabalho.
Segundo a procuradora do Trabalho Cláudia Honório, após receber denúncias, o MPT já havia realizado desde o ano passado três outras inspeções, mas em todas as vezes que a fiscalização foi ao local não encontrou nenhuma situação irregular. "Como é um trabalho muito sazonal, era difícil conseguir o flagrante", destacou a procuradora.
Na fiscalização do Conselho Tutelar, no entanto, foi constatado que um adolescente de 17 anos estava trabalhando no local e outros três fugiram. "Ele não conseguiu fugir porque estava dentro do forno. Primeiramente ele se identificou como um rapaz de 18 anos, mas após a averiguação dos documentos foi constatado que ele ainda possuía 17 anos", revelou a procuradora Cláudia. Ela explicou que os adolescentes ficavam expostos ao calor e à inalação de fumaça, em condições degradantes, com jornada de trabalho excessiva, sem registro em carteira de trabalho, com início de jornada às 7 horas da manhã, mas sem horário de término de expediente, e pagamento de apenas R$ 20 por dia. O adolescente foi levado para o Centro de Referência em Assistência Social (Cras).
Após a assinatura do TAC, a empresa se comprometeu a realizar o registro em carteira dos adolescentes e a regularizar todo o período em que eles trabalharam no local ilegalmente. A rescisão deles foi assinada no dia da fiscalização. Também prometeu regularizar o pagamento dos trabalhadores e fornecer todos os equipamentos de proteção individual (EPI) aos funcionários, seguindo o que determina a legislação.
O caso será repassado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que poderão responsabilizar criminalmente os empregadores.


