Curitiba - O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) pode perder cerca de mil funcionários por conta de uma decisão da Justiça do Trabalho, que determina demissão em massa dos servidores contratados pela Fundação da UFPR (Funpar) num prazo de 90 dias.
A determinação atende a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) para que os funcionários contratados pela Funpar sejam substituídos por servidores concursados. A universidade foi notificada na segunda-feira.
No entanto, há um impasse acerca da realização de um concurso, uma vez que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) foi criada pelo governo federal para contratar trabalhadores para hospitais universitários. A UFPR não aderiu à empresa e busca uma alternativa para repor os servidores.
O reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, e o diretor do HC, Flávio Daniel Tomasich, disseram que vão buscar diálogo com o MPT para manter os trabalhadores da Funpar. O problema, segundo a UFPR, se arrasta há três anos e meio. "Vamos continuar defendendo tanto os servidores da Funpar, que não podem viver com essa incerteza, quanto a excelência dos serviços prestados no HC, que são um direito da comunidade", afirmou Akel.
Com a demissão, a falta de funcionários no HC deve se agravar. No final do ano passado, 94 leitos foram fechados. Na época, a direção do hospital apontava que o deficit era de 400 servidores. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (Sinditest) alega que a carência chega a 600 trabalhadores.
Para o diretor do Sinditest, Márcio Palmares, a demissão resultaria em sérios problemas para quem depende do HC. "Se demitirem esses funcionários, imediatamente fecham as portas do hospital", apontou. Os mil funcionários representam um terço do total de servidores do HC. Palmares acredita que a determinação é uma forma de pressão política para que a UFPR faça adesão à EBSERH.
Por meio de assessoria de imprensa, o Ministério da Educação (MEC) informou que quem se pronuncia sobre esse caso é a EBSERH. A empresa, no entanto, explicou que responde apenas sobre os hospitais que aderiram à entidade.

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