Rio Branco, 21 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) insistirá em pedir a prisão de pelo menos seis outros envolvidos com o narcotráfico no Acre, afirmou hoje o procurador Marcus Vinícius da Silva. O juiz Pedro Francisco da Silva, da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, negou pedido de prisão preventiva para vários dos citados na lista do MP, com 65 nomes. Dos 17 novos pedidos, apenas seis foram acatados. Silva transformou de temporária para preventiva a prisão de 35 policiais militares, policiais civis e traficantes, presos em Brasília, acusados de integrar a quadrilha do deputado cassado Hidelbrando Pascoal.
Em poucas horas de busca, a PF prendeu os PMs Cícero Nunes (subtenente) e Amós Neto (cabo). Os delegados civis Erenildo Luiz de Souza e Ilimani Suarez, o assaltante José Valcimar Nogueira e o agente civil Amarildo Leite da Rocha. Ilimani foi secretário de Segurança Pública do Acre e comandou, entre 1995 e 1996 um grupo de policiais chamado "Os Paquitos" (temido pela truculência).
O MPF trabalha em duas frentes de investigações: uma para descobrir como o dinheiro da droga é lavado no Acre e qual o patrimônio dos narcotraficantes identificados até agora. O grupo de procuradores envolvidos no caso evita dar detalhes do trabalho ou nomes de possíveis empresas usadas no esquema. Firmas localizadas nos Estados de Rondônia e Amazonas podem estar servindo de lavanderia do narcotráfico.
A bancada petista na Assembléia Legislativa do Acre está dividida quanto à possível cassação do deputado Aureliano Pascoal (PMN). O deputado Ronald Polanco (PT) abriu uma polêmica ao dizer que "os deputados não voltarão as costas para Aureliano". O comando do partido se reuniu e decidiu que, se for o caso, votará pela perda do mandato de Aureliano, que é primo de Hidelbrando e vem sendo apontado pelo Ministério Público Estadual como envolvido na tortura e esquartejamento de Agílson Firmino, o "Baiano", em julho de 1996.
O pedido de prisão preventiva de Aureliano foi feito há 10 dias pelo MPE. O processo será analisado, na próxima sexta-feira, pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Em seguida, será votado pelo Tribunal Pleno, que reúne todos os desembargadores. Se for aprovado, o processo vai para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia, da qual Aureliano é membro. Em duas semanas, o relatório estará sendo votado pelos deputados.
Na época em que "Baiano" foi morto, Aureliano era comandante da PM e, segundo o MPE, "participou ativamente" do crime. No último sábado, o delegado Carlos Bayma, afirmou que Aureliano mandava soltar presos no 6º DP, onde a CPI do Narcotráfico encontrou bilhetes assinados por Hidelbrando, dando salvoconduto a presos por tráfico.
A deputada estadual Naluh Gouveia afirmou hoje que pedirá a expulsão do deputado do PT se ele insistir em não votar pela cassação de Aureliano. O ex-comandante da PM diz que não tem conhecimento do processo e que está tranquilo.

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