MPF vai convocar Previ sobre privatização da Telebrás
Rio, 08 (AE) - O Ministério Público Federal convocará o diretor de Planejamento do Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Arlindo Oliveira, para depor no inquérito civil público que investiga favorecimento a institutições financeiras na privatização da Telebrás.
Ele terá de explicar denúncia de que a diretoria da Previ rejeitou os termos e valores do contrato com o Opportunity para administração do fundo de investimento para participação da entidade no leilão da Telebrás, mas não foi acatada pela administração e, ao contrário, o contrato foi fechado.
Outra decisão do Ministério Público é solicitar à Previ cópia de todos os contratos assinados com o Opportuniy e atas das reuniões de diretoria e convocar para depor o ex-diretor Financeiro, João Bosco. O procurador do Ministério Público no Rio, Rogério Nascimento, quer ter acesso aos dados apresentados em carta enviada por Oliveira ao presidente da Previ, Luiz Tarquínio, na qual ele protesta pelo pagamento ao Opportunity de uma taxa de "administração" alta, projetada por ele em R$ 7 milhões por ano, e fora dos padrões praticados pela Previ.
A denúncia chegou a mãos dos deputados federais Aloízio Mercadante e Ricardo Berzoini, que decidiram entrar, esta semana
com uma representação no Ministério Público Federal para questionar por que uma decisão da diretoria da Previ foi ignorada pela administração executiva da entidade. Mercadante informou ter cópias da carta de Oliveira e dos contratos de parceria da Previ com o Opportunity.
Antes desta representação formal que será feita pelos deputados, procuradores no Rio decidiram adiantar o processo de investigação com base em matéria publicada no fim de semana em revista semanal que apresenta informações contidas na carta de Oliveira para Tarquínio. Um ofício assinado pelos procuradores Rogério Nascimento, Daniel Sarmento e Flávio Paixão foi enviado hoje ao presidente da Previ solicitando documentos como as atas de reuniões de diretoria, principalmente as que deliberaram sobre a participação da entidade no leilão da Telebrás, nomes de todos os diretores da Previ à época, normas internas, que tratam da competência de atos da diretoria e conselho, além dos contratos assinados com o Opprotunity.
O banco Opportunity informou hoje, em nota oficial divulgada nos jornais, que a cobrança da taxa é uma operação normal, e seu valor é de R$ 2,1 milhões, e não de R$ 7 milhões, como foi divulgado. De acordo com o banco, este pagamento será feito até o ano 2000. O Opportunity foi procurado, mas nenhum membro da diretoria da instituição quis dar entrevista. A assessoria informou que o banco já havia se pronunciado sobre o caso pela nota oficial.
O Conselho Deliberativo da Previ reuniu-se hoje durante todo o dia em Brasília (DF), mas não deu nenhuma informação sobre o caso - nem se haveria sindicância interna ou auditoria externa para apurar a denúncia. A direção do Fundo também passou a tarde reunida, no Rio de Janeiro, e até o início da noite não havia se pronunciado.Por Suzana Santos e Gustavo Alves -------------------- Atenção Editor: Essa matéria seguiu por engano pela Editoria de Política. -------------------





