Rio de Janeiro, 19 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) requereu hoje (19) a instauração de inquérito policial em que serão investigados o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e os sócios da Macrométrica (empresa que foi de Lopes) por suposto crime contra o sistema financeiro no socorro a bancos na crise do real, em janeiro.
A informação foi divulgada pelos procuradores da República Bruno Caiado Accioli, Raquel Branquinho e Davy Lincoln, que requereram também o interrogatório, a quebra do sigilo bancário e fiscal e exames grafotécnicos do ex-presidente do BC, de seus ex-sócios e dos ex-controladores dos bancos Marka e do FonteCindam.
Depois que os procuradores entregaram o requerimento na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, à noite, Lincoln afirmou que foram encontrados "indícios sérios, graves" nos documentos apreendidos na semana passada pela Polícia Federal.
Ele não quis confirmar se havia papéis assinados por Lopes que indicassem algum envolvimento, mas afirmou que, se os procuradores pediam exames grafotécnicos do ex-presidente do BC, "não era à toa". Ele disse que, apesar de já haver um inquérito sobre o caso em Brasília, o MP pediu a nova investigação por achar que, se ocorreu crime, foi no Rio.
"Mais tarde, a reunião desses processos, por conexão, vai ser examinada pela Justiça", afirmou Lincoln. A investigação vai apurar a possível violação da lei 7.492/86, também conhecida como Lei do Crime de Colarinho Branco.
Os procuradores também requisitaram à Polícia Federal a abertura de outro inquérito policial para investigar a procedência e o registro da escopeta que teria sido encontrada em um dos carros de Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, durante as buscas policiais em sua residência, na Barra da Tijuca. "Queremos saber da regularidade da entrada da arma no País", explicou Accioli.
Papelada - Os três procuradores também encaminharam hoje à 6ª Vara Federal todo o material apreendido na semana passada nas residências de Lopes, de Cacciola, do ex-dono do FonteCindam Luiz Antônio Gonçalves e em dependências dos dois bancos no Rio. Com os documentos, foi apresentado à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho um pedido de suspensão do segredo de Justiça que resguardava os papéis de divulgação. Os procuradores requereram ainda ao Judiciário que coloque a documentação - que ocupou mais de 20 caixas, acondicionadas em uma kombi - à disposição da CPI dos bancos.
Segundo Lincoln, a magistrada deverá tomar a sua decisão hoje. A procuradora Raquel Branquinho explicou que alguns documentos apreendidos serão devolvidos aos donos, por não interessarem às investigações, e outros serão submetidos a perícia. Será mantido o sigilo no que não depender da Justiça, mas de normas legais, como, por exemplo, na documentação de caráter bancário, fiscal e eleitoral, que é protegida por leis específicas e cujo segredo só pode ser quebrado em outras circunstâncias.
Amanhã, os três e também o procurador Artur Gueiros estarão em Brasília, onde farão uma exposição de seu trabalho no caso aos integrantes do Conselho Superior do Ministério Público, que são subprocuradores-gerais da República. Segundo a procuradora, os integrantes da Procuradoria no Rio que trabalham nos procedimentos sobre o Marka e o FonteCindam esperam uma manifestação de "defesa institucional" do trabalho da Procuradoria no Rio de Janeiro.

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