Curitiba- O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública com pedido de liminar pleiteando que a Justiça Federal restrinja a propaganda de cervejas e outras bebidas alcoólicas em emissoras de televisão e rádio. A ação foi impetrada anteontem pela procuradora da República Antônia Leila Sanches na Justiça Federal de Curitiba, mas valeria para todo o território nacional.
Com a concessão da liminar, a publicidade de bebidas com teor alcoólico acima de 0,5 grau ficaria restrita ao período entre 23 horas e 6 horas. A justificativa da procuradora é resguardar os direitos fundamentais das crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente atribui ao Ministério Público a competência para promover as ações necessárias de garantia dos direitos constitucionais.
Para o professor de neurociência da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e especialista em psicologia do consumidor, Nain Akel Filho, a medida é ineficaz. ''Apesar do cérebro da criança e do adolescente ser muito sensível a influências como a da publicidade, ainda mais forte é a influência do modelo familiar em que eles estão inseridos'', explica.
Akel Filho entende que a única ação eficaz é a educativa. ''As bebidas alcoólicas estão cercadas de uma 'aura' de atração. O pouco acesso a meios de comunicação de massa como a televisão e o rádio de moradores do campo não impede que eles passem a beber e a abusar do álcool'', comenta.
Helisson Schiavinato, diretor-secretário do Sindicato das Agências de Propaganda do Paraná (Sinapro-PR), diz que o impacto no setor deve ser baixo. ''As agências donas das contas das empresas de bebidas devem comprar mais espaços dentro do horário permitido e ampliar ações em outras mídias, como ações promocionais e ponto de venda. Hoje a audiência da televisão vem caindo e a internet crescendo, principalmente com o público entre 12 e 21 anos''.
Para Schiavinato, é preciso parar de tratar a propaganda como vilã. ''Nós trabalhamos com regras claras e fortes. Quando percebemos que as propagandas de cervejas chamavam atenção do público infantil com bichinhos ou estavam muito vulgares, as próprias agências mudaram o foco.'' A reportagem procurou representantes das empresas do setor mas, até o fechamento da edição, não recebeu retorno.

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