São Paulo, 09 (AE) - O Ministério Público Federal vai acionar a Interpol - polícia internacional, que mantém representação em quase todo o mundo - para fazer uma investigação sobre a suposta ligação do grupo acusado de desviar R$ 169,3 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo com os dois empresários brasileiros presos nos Estados Unidos sob suspeita de comandarem um esquema de lavagem de dinheiro, a partir de uma empresa de fachada situada em Miami.
O objetivo do MPF é "encurtar" o caminho da apuração para tentar identificar provável elo entre os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Teixeira Ferraz - proprietários da Construtora Ikal, responsável pela construção inacabada do fórum - e os empresários Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, ambos sob custódia da Justiça norte-americana.
José Eduardo e José Maria seriam irmãos, segundo suspeita da Procuradoria da República. O primeiro está foragido desde o dia 28 de fevereiro, quando a Justiça Federal, em São Paulo, decretou sua prisão - e também a de Monteiro de Barros - no processo sobre remessa ilegal de US$ 3,29 milhões para os Estados Unidos por meio de uma operação de câmbio fraudulenta. A Procuradoria da República tem amplo interesse em tentar descobrir todas as ramificações em torno do juiz Nicolau do Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho e principal envolvido na contratação da Ikal, realizada em outubro de 1992.
A primeira pista surgiu em fevereiro de 1999, quando o ex-genro do juiz, Marco Aurélio Gil, denunciou seu patrimônio, incompatível com os rendimentos de um magistrado - incluindo automóveis de luxo e apartamento de cobertura em Miami. Este imóvel foi adquirido por Nicolau em nome da Hilside Trading, empresa de fachada que pertence ao próprio Nicolau e foi constituída em Miami. O juiz nega irregularidades e sustenta que sua fortuna tem origem na herança que teria recebido de familiares - afirma, porém, não se recordar dos nomes desses parentes.
A prisão dos brasileiros Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz pela polícia dos Estados Unidos pode contribuir para a investigação da Procuradoria da República. Os dois são proprietários da Telemarketing Financial Corporation. A procuradoria vai pedir à Interpol que "promova uma averiguação" sobre os antecedentes de Barros e Ferraz para levantar se ambos têm ligações com o grupo do juiz Nicolau.

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