Rio, 28 (AE) - Procuradores da República que acompanham o inquérito sobre suposto favorecimento a bancos privados por parte do Banco Central disseram hoje que o ex-presidente da instituição Francisco Lopes, em seu novo depoimento à Polícia Federal, poderá, mesmo como testemunha, não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Trata-se de uma tentativa de levar o ex-presidente do BC a, sem se comprometer, dar informações que indiquem novos caminhos à investigação.
"O senhor Francisco Lopes comparecerá na condição de testemunha", explicou o procurador Bruno Caiado. "Nessa condição, ele não está obrigado a produzir provas contra si mesmo ou a se auto-incriminar." Segundo o procurador, não há nenhuma acusação formal contra Lopes e o Ministério Público "não tem juízo de valor formado ainda a respeito de quem quer que seja" "Se a pessoa não está sendo formalmente acusada, se não está indiciada, é testemunha", disse. Caiado reconheceu o direito de os advogados do ex-presidente do BC de, mesmo como testemunha, fazê-lo calar sobre o que o pudesse prejudicá-lo. Também a procuradora Raquel Branquinho defendeu o direito constitucional de Lopes permanecer calado numa investigação policial. "Na CPI, não vamos entrar nesse mérito", afirmou.
Ao admitir que Lopes, mesmo depondo como testemunha, poderá se calar sobre alguns pontos, os procuradores também tentam superar a estratégia da defesa do ex-presidente do BC. Os defensores de Lopes, na CPI dos Bancos, na última segunda-feira, alegaram que ele não poderia assinar o compromisso de testemunha (segundo qual seria obrigado a dizer a verdade sobre tudo o que fosse perguntado), porque assim não teria direito de permanecer calado (que é dos acusados, não das testemunhas). O Supremo Tribunal Federal, porém, já decidiu que o ex-presidente do BC não precisa falar de nada que o incrimine.
A nova postura dos procuradores contrasta com as críticas que o Ministério Público Federal fez à estratégia de Lopes, na última segunda-feira. Na ocasião, o procurador Davy Lincoln, que também acompanha as investigações, atacou a atitude do ex-presidente do BC.

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