Rio, 27 (AE) - O Ministério Público Federal não descarta a possibilidade de requisitar à Polícia Federal que volte a inquirir o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes nas investigações sobre supostas irregularidades na crise da desvalorização do real de janeiro. A informação foi divulgada hoje pelo procurador da República Bruno Caiado, um dos encarregados pelo MPF de acompanhar o inquérito policial sobre o caso. Lopes já falou à PF na primeira fase das investigações, em Brasília, mas depois do depoimento surgiram outras informações sobre as quais o ex-presidente do BC ainda não se pronunciou.
"Francisco Lopes já foi ouvido, mas nada impede que seja ouvido de novo", afirmou Caiado. Ele não quis comentar a decisão de Lopes, que ontem foi preso no Senado sob a acusação de desobediência ao se recusar a assinar o compromisso de testemunha, segundo o qual juraria dizer a verdade. Informalmente, os procuradores avaliam que o ex-presidente do BC
com seu gesto na CPI, ganhou tempo para montar melhor a sua defesa nas investigações.
PF - As informações bancárias, fiscais e telefônicas de Francisco Lopes poderão ser usadas nas investigações da Polícia Federal, no Rio. Segundo fontes da PF com acesso ao inquérito que apura o socorro financeiro do BC aos bancos Marka e FonteCindam, os dados podem ser solicitados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, que quebrou ontem o sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-dirigente do BC.
Os dados podem ser importantes caso a PF decida apurar se Lopes praticou sonegação fiscal. Há suspeitas de que o ex-presidente do BC teria cometido crime fiscal pelo fato de ter sido apreendida uma carta endereçada à esposa de Lopes, Araci Pugliese, em que seu ex-sócio, Sérgio Bragança, diz ter sob sua custódia no exterior com US$ 1,675 milhão que pertenceriam a Lopes. Neste caso, poderia ser aberto um novo inquérito na PF para investigar o fato.
Segundo integrantes da PF, o delegado Luiz Pontel entrou em contato com o advogado da diretora jurídica do Banco Marka, Cíntia Moura, mas não conseguiu marcar seu depoimento. As declarações à PF são consideradas importantes, porque ela é considerada o braço direito do proprietário do Banco Marka, Salvatore Cacciola. Esgotada a fase de depoimentos dos envolvidos na operação de socorro do BC ao Marka e FonteCindam, poderão ser realizadas acareações entre os convocados para depor.
Está sendo estudada a possibilidade de acareação entre Cacciola e o presidente do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves, por causa de contradições nos depoimentos prestados à PF.
Palavrões - Salvatore Cacciola reagiu com palavrões, insultos e gestos agressivos à abordagem de jornalistas que o seguiram hoje à tarde por algumas ruas do Centro do Rio. Cacciola passou perto da porta do prédio da Procuradoria da República, onde as equipes de reportagem têm dado plantão desde o início do caso, e foi reconhecido.
Repórteres e cinegrafistas o seguiram até a Rua Primeiro de Março - enquanto populares gritavam "Pega!" e "Cadê o dinheiro?". O banqueiro afastou com empurrões jornalistas e depois embarcou em um táxi.

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