Londrina - Márcio e Ana Paula Fernandes se casaram e em 2009 conseguiram o sonho da casa própria. Eles financiaram um imóvel no Residencial Cancún III, localizado no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). Mas três anos após o sonho, um pesadelo ronda o casal. ''Tem infiltração, rachadura. Há 15 dias eu mandei pintar tudo porque o quarto já estava ficando preto. Veio um técnico da Caixa e disse que isso é normal'', comentou o auxiliar de produção.
O Ministério Público Federal em Londrina (MPF/Londrina) requisitou ao 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina que realize, com urgência, a vistoria preventiva e fiscalizadora no Residencial Cancún III, onde vivem cerca de 70 famílias. O objetivo é verificar qualquer irregularidade quanto às condições de segurança do condomínio.
Vários apartamentos apresentam rachaduras e infiltrações. Um deles é o do professor Renato Munhoz. ''Eu investi na reforma, pintei o apartamento, porque do jeito que estava não dava mais. Por fora dá para ver muitas rachaduras, só passaram silicone'', disse, indicando pontos de rachaduras nas paredes.
Os moradores do residencial protocolaram uma representação no MPF no ano passado. O empreendimento faz parte do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), destinado a pessoas com renda familiar de até R$ 1.800. O programa é gerenciado pelo governo federal, Caixa Econômica Federal, Prefeitura de Londrina, construtoras, administradoras e arrendatários.
O casal Márcio e Ana Paula Fernandes paga cerca de R$ 250 por mês pelo apartamento. ''Nosso financiamento é de 15 anos'', afirmou ele. O valor total do imóvel é R$ 45 mil.
Além das rachaduras os moradores do Cancún III, que foi entregue em fevereiro de 2009, acumulam outras reclamações: a obra foi executada em um terreno inclinado, o que causa constantes alagamentos em períodos de chuva, falta acessibilidade para pessoas com deficiência e alguns apartamentos do andar superior apresentam rachaduras no chão.
Uma das principais preocupações dos moradores diz respeito ao sistema de gás: as centrais foram construídas em áreas supostamente inadequadas, próximas ao transformador de energia da Copel e à garagem do residencial.
O MPF solicitou que Corpo de Bombeiros realize a vistoria em um prazo máximo de dez dias.
A reportagem Folha entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, mas foi informada que o funcionário do setor administrativo, que teria conhecimento sobre o assunto, não estava mais trabalhando no final da tarde de ontem.
Sobre a participação da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) na entrega das casas, o presidente João Verçosa afirmou que a companhia teria repassado somente a lista de famílias inscritas à Caixa Econômica. Segundo Verçosa, a liberação para a construção das casas e toda obra seria de responsabilidade exclusiva da equipe de engenharia da Caixa Econômica.
A assessoria da Caixa Econômica Federal informou que a superintendência do banco estaria em reunião na tarde de ontem e que se pronunciaria somente hoje sobre o caso.(Colaborou Fernanda Carreira)

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