MPF pede quebra de sigilo de 60 empresas e acusados
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terça-feira, 25 de janeiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 25 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje à Justiça Federal a quebra de sigilo bancário e dos registros telefônicos dos últimos dois anos de 60 empresas e pessoas físicas, suspeitas de corrupção e envolvimento com a máfia italiana.
Na lista de pedido de quebra de sigilo bancário, estão oito servidores do gabinete do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, incluída a secretária-executiva Tereza Castro. Será enviado pedido à Receita Federal para realização de auditorias fiscais nas contas de todas as 60 empresas e pessoas físicas.
O Ministério Público também pediu a quebra de registro telefônico, ao longo de 1999, de 45 números de telefone. Nesta nova lista, aparece o Instituto Farol do Saber, de Curitiba, que
segundo levantamento do MPF, pertence a Greca. Por intermédio da assessoria, o ministro disse hoje que não vai falar nada sobre as investigações do Ministério Público. Greca afirmou que é "colaborador" do Instituto Farol do Saber, dirigido pela mulher dele, Margarita Sanson.
A quebra conjunta de sigilo bancário e registro telefônico foi pedida para o período de 1.º de janeiro de 1998 a 31 de dezembro de 1999. Os pedidos do MPF, assinados pelos procuradores Luiz Francisco de Souza e Guilherme Zanina Schelb, têm como base as investigações de comissão de sindicância do governo e inquérito da Polícia Federal (PF). As denúncias envolvem suposto esquema de corrupção na emissão de autorizações de bingos eletrônicos, elaboração de portarias de bingos e penetração de mafiosos italianos no País, com a ajuda de empresas nacionais.
Além de Tereza, estão na lista do pedido de quebra de sigilo o chefe de gabinete de Greca, Pedro Vieira César, e o subsecretário de Orçamento e Administração, Tupy Barreto Júnior.
Foi pedida ainda a quebra de sigilo dos assessores especiais Rosane Teixeira Padilha da Silva Freitas, Mauro José Magnabosco, Suzana Dieckman Jeolas e Jeolas, Almir Carlos Bornacin e Lincoln Paulo Martins Moreira.
O pedido de quebra de sigilo bancário envolve também oito funcionários do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), órgão vinculado ao Ministério dos Esportes. Estão na lista o ex-diretor de Administração e Finanças Luiz Antônio Buffara de Freitas, o procurador-geral, Luiz Roberto Passani, o coordenador-geral, José Clodomiro Russomano, o ex-coordenador-geral Alexandre Teixeira, entre outros.
Foi também pedida a quebra de sigilo bancário de Mirta Aparecida Brasil Fraga, que, segundo o MPF, participou de reuniões "secretas" na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e, posteriormente, foi contratada como chefe de divisão do Indesp. Segundo as investigações do MPF e da PF, a Portaria 23 do Indesp, que regulamentava as máquinas de videobingo, foi redigida dentro da Conab, por servidores que não trabalhavam no Indesp.
O MPF pediu a quebra de sigilo de todos os que participavam destas reuniões na Conab, entre eles, o ex-procurador-geral do órgão Paulo Joaquim de Araújo, o lobista Antônio Carlos Garcia de Almeida Portugal, o "procurador" do Bingo Eventual Poupa Ganha, Alexj Predteciyensky, o ex-chefe de gabinete da Conab André Manfredini e o advogado Tiago Loureiro, procurador as empresas do empresário de bingo Alejandro Ortiz de Viveiros.
A maioria das quebras de sigilo é do grupo ligado ao empresário Alejando Ortiz de Viveiros e dos três filhos dele, Alejandro Ortiz de Viveiros, Johnny de Viveiros Ortiz e Alex de Viveiros Ortiz. A família Ortiz foi sócia do mafioso italiano Lillo Rosario Lauricella, preso na Itália por associação mafiosa e tráfico de cocaína e heroína.
Também foi pedida a quebra de sigilo do bicheiro paulista Ivo Noal. Em depoimento à Justiça da Itália, Lauricella disse que pagava US$ 80 mil mensais a Noal para instalar os negócios em São Paulo.
O pedido de quebra de sigilo inclui ainda vários funcionários de Alejandro Ortiz de Viveiros, apontados como "laranjas" da família. Há também uma lista de 14 empresas, grande parte seria de propriedade da família Ortiz, segundo apontam as investigações.
O MPF pediu ainda a quebra de sigilos dos professores Carlos Alberto de Bragança Pereira e Júlio Michael Stern, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Ruy Luiz Milidiiú, da PUC do Rio, e José Pissolato Filho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Os quatro professores criaram o Instituto de Jogos e Loterias para certificação de máquinas de bingo, tendo como sócio o advogado Loureiro, representante das empresas de Alejandro Ortiz de Viveiros.


