MPF pede prisão preventiva de Pascoal
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 14 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje a prisão preventiva do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) e a temporária dos policiais militares Alex Fernando de Barros, Raimundo Alves de Oliveira, João de Souza Pinheiro, Ronaldo Romero e Alexandre Alves da Silva, com base em documentos fornecidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara.
Dos policiais, dois cumprem prisão temporária em Brasília. Para sustentar o pedido, o Ministério Público acusa o grupo de participar da morte do agente civil Walter José Ayala e do PM Raimundo Crispim, assassinados a tiros em 10 e 13 de setembro de 1997. Os dois eram testemunhas da Subcomissão de Direitos Humanos, que investigava o esquadrão da morte no Acre.
A comissão quer também a prorrogação da prisão temporária dos outros presos em Brasília. Uma nova lista com pedido de prisão preventiva, contendo seis nomes de suspeitos de ligação com o narcotráfico e com grupos de extermínio, foi protocolada hoje na Justiça Federal. Os nomes não foram revelados. "Há também policiais civis e militares nesta relação", informou o deputado Wanderlei Martins (PDT-RJ).
Os integrantes da CPI do Narcotráfico, que desembarcaram na noite de ontem (13) em Rio Branco, começaram hoje a tomar os depoimentos de envolvidos no crime organizado e na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. A princípio, segundo informou a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), relatora da comissão, serão ouvidos seis suspeitos e cruzadas as informações fiscais e bancárias de dez empresas.
O empresário Abrahão Cândido negou todas as denúncias de ligação com o tráfico internacional de drogas. Ele disse que formou o patrimônio "com honestidade e trabalho". Martins disse ter ficado surpreso com a rapidez na resposta de Cândido, ao afirmar que "já tinha ouvido falar pelo noticiário" num homem chamado Antonio Graça Mota. "O senhor tem excelente memória, já que Antonio é muito mais conhecido como Curica", disse Martins ao empresário, lembrando que "Curica" é um traficante e está preso em São Paulo.
O empresário confirmou ser amigo de infância do ex-governador Orleir Cameli, mas condenou as acusões que envolvem a família Cameli com os cartéis peruanos e colombianos do tráfico.


