MPF pede à PF que investigue morte de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas
MPF pede à PF que investigue morte de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas13/Mar, 18:52 Por Felipe Werneck e Roberta Jansen Rio, 13 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para investigar a responsabilidade pela morte de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, durante o carnaval.O Ministério Público Estadual (MPE) também está apurando se houve crime ambiental. Hoje uma nova mancha surgiu na lagoa, levando ambientalistas a temer outro acidente. "Mais peixes devem morrer", disse o oceanógrafo David Zee, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A mancha, disse, foi provocada por uma frente fria que revolveu o lodo da parte mais rasa da lagoa, trazendo para superfície algas que normalmente ficam na fundo. "O gás sulfídrico liberado por essas algas, que estão proliferando nas margens da lagoa, pode causar nova mortandade de peixes", explicou Zee. Ele não acredita que a mancha tenha sido causada por lançamento de esgoto. Mais de 130 toneladas de peixes mortos foram retirados da lagoa. O secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, Maurício Lobo, discorda do oceanógrafo. Para ele, a proliferação excessiva de algas pode ter sido causada pelo alto índice de coliformes fecais encontrados em amostras de água da lagoa na semana passada - 900 vezes a mais do que o limite permitido. "A maré vermelha é uma consequência do lançamento de esgoto", afirmou. Amanhã (14) a Secretaria fará coleta de água da lagoa para verificar a eventual presença de algas tóxicas. Para o diretor de Esgotos da Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae), Evandro Brito, a mancha não tem relação com a presença de material orgânico na lagoa. "Não há dúvida de que a coloração diferente foi causada pela frente fria sudoeste e pela concentração de algas", disse. "O prioritário agora é evitar que continuem morrendo peixes." Ele negou que a poluição na lagoa e nas praias da zona sul seja resultado de vazamento de esgoto nas galerias de água pluvial, conforme havia dito o presidente da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), Axel Grael. Inquérito - Em ofício enviado na quinta-feira (09) ao delegado Ricardo Bechara, do Núcleo de Proteção ao Meio Ambiente da PF, o MPF pediu que sejam investigadas a responsabilidade da Cedae, das secretarias municipal e estadual de Meio Ambiente e da Fundação Rio águas na mortandade de peixes. O MPF pede também que sejam ouvidos funcionários das empresas, pescadores da região e biólogos. O promotor Sávio Bittencourt, da equipe de Proteção ao Meio Ambiente do MPE oficiou a central de inquérito para a apuração do suposto crime ambiental. "Para mim há indícios de crime", afirmou. O promotor já intimou o biólogo Mário Moscatelli a prestar depoimento. O secretário estadual de Meio Ambiente, André Correa, também será intimado e deverá ser ouvido na próxima semana.





