Rio, 05 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje à Polícia Federal (PF) novas diligências no inquérito sobre o grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na segunda-feira (01), em nota à imprensa, os procuradores encarregados do caso, Silvana Batini e Artur Gueiros, apontaram que as investigações conduzidas pelo delegado Rubens Grandini não chegaram a nada. Com a demissão do diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, eles esperam que o inquérito, depois de três meses, finalmente deslanche.
"Estamos otimistas e achamos que, daqui para frente, com as mudanças na cúpula da polícia, o trabalho técnico será mais valorizado e o inquérito irá para frente", afirmou Gueiros. Como as investigações correm sob segredo de Justiça, ele não quis revelar que providências foram pedidas pelo MPF. Mas, no início do caso, os procuradores haviam pedido a Grandini para ouvir todos os atuais e ex-integrantes do governo que tiveram contato com as gravações clandestinas, como o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas, e os chefes do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso
e da Casa Civil, Clóvis Carvalho.
Nenhum deles prestou depoimento. O delegado também não ouviu os agentes da área de informações do governo que, segundo fontes da PF, seriam os autores da escuta telefônica. É provável que conste da relação de diligências pedidas pelo Ministério Público a perícia técnica nas fitas e no equipamento telefônico do BNDES, que simplesmente não aparece nos autos.
O inquérito, aliás, não traz sequer a chamada prova material - as fitas com as gravações. A polícia não esclareceu quantas são, nem sabe onde o grampo foi colocado ou de que forma foi feito. Os procuradores vão pedir uma audiência com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para discutir o inquérito. "Nosso trabalho depende da Polícia Federal e, por isso, temos esperança de que alguém do corpo técnico ocupe a direção-geral", disse Gueiros.

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