Teresina - O procurador da República Kelston Lages informou que a Penitenciária Irmão Guido está sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas de irregularidades na construção e, por esta razão, não poderá ser federalizada. O presídio não chegou a ser oficialmente inaugurado, mas está com as paredes rachadas e foi parcialmente destruído por menores infratores, internados ali provisoriamente, durante uma rebelião.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar os custos de construção e o material utilizado na obra. O projeto inicial foi orçado em R$ 400 mil e o prazo estimado para conclusão em oito meses. O presídio, porém, custou R$ 1,75 milhão e demorou dois anos para ser concluído. A Penitenciária Irmão Guido fica a 14 km do centro de Teresina.
Com capacidade para 210 presos numa área de 442 metros quadrados construídos, não chegou a ser inaugurada. ''Verificamos que as paredes estão rachadas e a construção foi feita como uma casa qualquer, não para ser penitenciária'', argumentou o procurador. Ele frisou que a construção não foi aprovada pela União. ''Na verdade, estão tentando colocar um dos presos de maior periculosidade do País numa casa de bonecas colorida, que não tem capacidade sequer de abrigar menores infratores, que dirá os bandidos mais perigosos do país'', desabafou Lages.
O governador Wellington Dias (PT) afirmou que o Ministério da Justiça reconheceu que a obra foi feita sob projeto errado e inadequado para o sistema prisional. ''Nós estamos pedindo a recuperação deste presídio, transformando-o numa penitenciária federal. O traficante Fernandinho Beira- Mar está sendo transformado em astro nacional e não tem sentido tratá-lo desta forma'', finalizou o governador.

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