MPF e PF apreendem documentos do Marka e FonteCindam
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Gustavo Alves, Eliane Azevedo e Irany Tereza 
Rio, 15 (AE) - O Ministério Público (MPF) e a Polícia Federal (PF) apreenderam hoje documentos financeiros e contábeis dos Bancos Marka e FonteCindam. A busca foi determinada por cinco mandados expedidos pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho
da 6ª Vara Criminal Federal.
Todos os dados serão analisados por peritos do MPF do Rio para auxiliar na investigação da operação de ajuda do Banco Central (BC) às duas instituições, instaurada na semana passada pelo procurador Bruno Acioli.
A juíza expediu cinco mandados de busca e apreensão para as sedes dos dois bancos e as residências dos presidentes do Marka, Salvatore Alberto Cacciola, e do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves, e do economista Rubens Novaes. Os mandados foram dados num processo que corre sob sigilo na 6ª Vara. Novaes
que prestou depoimento hoje à PF, é suspeito de ser a ligação entre as duas instituições financeiras e um suposto alto funcionário do BC que era subornado para passar informações sigilosas sobre a atuação do governo.
O procurador Adriano Manso, que participou da operação, explicou que as informações também deverão ajudar as investigações do MPF de Brasília sobre a suspeita de que as duas instituições financeiras subornavam um alto funcionário do BC para obter informações sigilosas.
A PF apreendeu ou lacrou todas as informações financeiras e contábeis do Marka e do FonteCindam realizadas a partir de novembro, informou Manso. "Recolhemos a grosso modo mas ainda não fizemos análise dos documentos", afirmou. Também vai ser feita a análise de dados em computador das duas instituições financeiras.
Manso informou que, além de informações sobre a operação de ajuda do BC aos dois bancos, durante a crise da desvalorização do real, em janeiro, o Ministério Público também pode buscar dados sobre o envio de remessas de dinheiro para o exterior. O advogado de Gonçalves, Sérgio Eskenazi, afirmou que a operação não vai prejudicar o funcionamento do FonteCindam, que, ao contrário do Marka, não foi fechado após a crise.
Os dois bancos funcionam no mesmo prédio no Centro do Rio, pertencente à Academia Brasileira de Letras (ABL). A sede do fundo Marka-Nikko, que funciona no mesmo andar do Marka, também foi vistoriada pelos policiais. Um funcionário do Departamento de Fiscalização do BC também foi ao FonteCindam hoje à tarde, mas afirmou que fazia apenas uma operação "regular", sem relação com o trabalho da PF e da Procuradoria da República.
Cacciola teve a prisão preventiva decretada pelo juiz da 4ª Vara Federal, Abel Gomes da Silva, no processo a que ele responde desde 1996 por empréstimo fraudulento. No entanto, ele obteve um habeas-corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio, que suspendeu a ordem de prisão e o liberou para viajar para o exterior.
Depois do habeas corpus, o Ministério Público entrou com recurso para que o caso fosse julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O TRF do Rio deu prazo de 15 dias para que a defesa do banqueiro se manifestasse sobre a questão, antes de julgar o pedido. Cacciola está no exterior e Manso manifestou hoje preocupação sobre a possibilidade de o Brasil não conseguir a extradição dele, caso seja necessário fazer o pedido para que ele venha responder sobre as acusações.
Manso afirmou que isto é possível, caso as leis italianas sejam como a brasileira para casos de extradição. Segundo a Constituição, brasileiros não podem ser extraditados para outros países com o objetivo de responder a crimes que teriam cometido no exterior - têm de ser julgados aqui. O procurador afirmou que, se a lei italiana for a mesma, Cacciola pode se beneficiar do fato de ter cidadania italiana.


