Rio, 25 (AE) - A existência de 46 fitas com gravações obtidas por meio de grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi considerada pelo Ministério Público Federal um indício de que a Agência Brasileira de Informações (Abin) enviou à Polícia Federal material adulterado para investigação. O responsável pela Abin é o general Alberto Cardoso, chefe do gabinete militar da Presidência da República. No início da noite, o juiz da 2ª Vara Federal do Rio, Alexandre Libonati de Abreu, quebrou o segredo de Justiça do inquérito criminal que apura a autoria do grampo.
O pedido de quebra do sigilo foi encaminhado à tarde pelos procuradores da República Silvana Batini e Arthur Gueiros. O objetivo da medida era tornar público o laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) nas duas fitas apresentadas pela Abin e anexadas ao inquérito. Segundo o laudo, as gravações foram editadas. "Isso mostra que a prova enviada à polícia foi adulterada", apontou Silvana.
Os procuradores informaram numa nota oficial que vão solicitar à "Folha de S.Paulo" as fitas divulgadas pelo jornal
para serem periciadas. O conteúdo das gravações não é objeto do inquérito. "Almeja-se com o exame saber se as duas fitas que hoje compõem o inquérito têm como fonte o acervo das 46 fitas hoje (ontem) publicadas", dizem, na nota.
Eles afirmaram ainda que as investigações não estão concluídas e não existem ainda indiciados. "Faltam algumas diligências como, por exemplo, tomar o depoimento do deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), uma das primeiras pessoas a ter contato com as fitas e única autoridade que não conseguimos ouvir", contou Silvana.

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