Rio, 27 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra diretores dos Bancos Bradesco e Vetor, na primeira grande investida na Justiça sobre o chamado escândalo dos precatórios. O então diretor da área de Operações de Títulos Públicos do Bradesco, Katsumi Kihara, e os sócios do Vetor, Fábio Barreto Nahoum, Ronaldo Ganon e Mauro Enrico Barreto Nahoum, foram denunciados por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. No caso dos diretores do Vetor, o Ministério Público incluiu ainda o crime de peculato (desvio de recursos).
Foram denunciados também o ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo Wagner Baptista Ramos e diretores da distribuidora Paper e da empresa Tarimba. Segundo os procuradores da República Artur Gueiros e Raquel Branquinho, a investigação feita pela Polícia Federal (PF) e pelo Banco Central (BC) não deixou dúvidas de que as instituições trabalharam juntas no esquema de fraudar títulos públicos e montar a operação de compra e venda no mesmo dia (day trade), que inflacionava o precatório.
O destino dos lucros ainda está sendo investigado, mas se suspeita de que havia lavagem por intermédio de "laranjas" e o desvio do dinheiro para o exterior. "Já existem indícios de envolvimento, na lavagem, de pessoas físicas ligadas ao Bradesco", afirmou Gueiros.
A denúncia, entregue na segunda-feira (25) à Justiça Federal do Rio, refere-se apenas à atuação de instituições financeiras na compra e venda de precatórios de Pernambuco e Santa Catarina, entre 1995 e 1996.
"Há uma série de outros inquéritos sobre a participação dos governos estaduais e a lavagem do dinheiro", explicou o procurador. O MPF pediu à PF que investigue se houve participação na fraude do então presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, e do vice-presidente, Ageo Silva.
A fraude dos precatórios, no total, é estimada em R$ 3 bilhões - dos quais um terço era de papéis de Pernambuco e Santa Catarina. Só em Pernambuco, por exemplo, foram emitidos R$ 480 milhões em títulos e 80% deles foram comprados pelo Bradesco. "A operação era repassada aos cotistas dos fundos do Bradesco"
afirmou Gueiros.

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