MPF denuncia 24 na Operação Ferrari
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - O Ministério Público Federal (MPF) concluiu esta semana o procedimento de investigação da Operação Ferrari e denunciou 24 pessoas pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e supressão de documentos. As denúncias foram oferecidas à 14ª Vara Federal de Curitiba em consequência da operação deflagrada há 10 dias no Paraná e em outros quatro estados.
De acordo com o MPF, os crimes foram cometidos sob o comando dos quatro líderes da organização criminosa, três deles viviam em Londrina, cidade que abrigava o núcleo da quadrilha. A reportagem preservou os nomes pois tentou acesso à defesa dos denunciados, mas como a denúncia ainda não havia chegado às mãos do juiz responsável, os dados não estavam disponíveis para consulta e nem foram disponibilizados pela Justiça Federal.
Inicialmente, 17 nomes haviam sido indiciados pela Polícia Federal (PF), no entanto mais oito foram incluídos na denúncia com o desenrolar das investigações. Já o nome do tenente-coronel Mauro Rolim de Moura, que chefiava o Estado Maior do 2º Comando Regional da Polícia Militar, foi retirado da lista de indiciados. O MPF não encontrou provas contra o oficial da PM, apesar da ligação que ele mantinha com um dos envolvidos, segundo investigação da PF. Rolim de Moura, que chegou a ser afastado de suas funções, foi citado apenas como testemunha. O comando geral da PM, em Curitiba, informou que aguarda a posição formal do MPF sobre a condição do policial no processo de investigação.
HÁ DEZ ANOS
O delegado da Polícia Federal Elvis Secco destacou que Londrina abrigava o núcleo da chefia da quadrilha. "Londrina era a base de tudo. Aqui eles se instalaram, instalaram as suas famílias, suas empresas e faziam todo o processo de lavagem de dinheiro. Eles se passavam por empresários e gostavam de gastar com lanchas e lazer", detalhou. A organização criminosa agia no tráfico de drogas havia pelo menos 10 anos e a denúncia especifica fatos criminosos comprovados que ocorreram em 2014 e 2015. Segundo o que foi apurado nas investigações, o patrimônio avaliado da organização já ultrapassa os R$ 40 milhões.
ESQUEMA
O MPF detalhou a forma como a organização agia. O esquema começava com importação de pasta de cocaína do Peru e da Bolívia (via Paraguai), depois seguia com a aquisição da droga e insumos necessários para o refino da matéria-prima, com a lavagem de dinheiro e suborno a policiais do estado de São Paulo. Por fim, foi identificada a supressão de documentos e objetos relacionados aos crimes. Participaram da operação 300 policiais federais e 28 servidores da Receita Federal do Brasil, que deram cumprimento a 49 mandados judiciais no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe.
Entre as empresas identificadas durante a investigação estão três postos de combustíveis: o Auto Posto Ferrari, em Cambé, que deu nome à operação, outro em São Jerônimo da Serra (Norte) e um em Hortolândia (SP). Uma transportadora de Arapongas também era utilizada no esquema. O proprietário de uma boate na zona oeste de Londrina também foi preso. Conforme a Polícia Federal, o local era utilizado no esquema de lavagem de dinheiro por meio da troca de cheques, da transferência de valores e da intermediação de compra de imóveis e de veículos.
De acordo com informações da Polícia Federal, durante a operação foram apreendidos R$ 634 mil em dinheiro, R$ 460 mil em cheques, 42 veículos de luxo, dois reboques, 27 caminhões, duas motos importadas, 37 celulares, uma arma, e 91 relógios e joias.


