MPF classifica supressão de Contorno Norte de Londrina como 'fraude ostensiva'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Luis Fernando Wiltemburg <br> Reportagem local 

A supressão da obra do Contorno Norte de Londrina, que prejudicou a segurança do tráfego na área urbana do município e a infraestrutura logística da região, já que desviaria o trânsito pesado que passa pela avenida Brasília, ligando o contorno de Ibiporã até Cambé, é classificada como uma "fraude ostensiva" no contrato de concessão, segundo denúncia do MPF (Ministério Público Federal).
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Previsto a um custo de R$ 22 milhões no contrato de concessão das rodovias, o Contorno Norte de Londrina deveria ter sido executado até 2002, com duplicação prevista para 2016 no valor de R$ 31 milhões, mais R$ 3,03 milhões para desapropriações. Entretanto, o início da obra foi postergado, inicialmente, para 2011; depois, para 2020, até que, em janeiro de 2018, foi suprimida das obrigações.
Em troca da supressão, para não haver redução tarifária, foi antecipado para 2018 a duplicação do trecho entre Jataizinho e Cornélio Procópio, que teve seu valor elevado dos R$ 35,6 milhões, inicialmente orçados, para R$ 70,5 milhões. Para o MPF, a absorção do custo do Contorno Norte pela obra de duplicação configura a "fraude ostensiva".
O esquema foi descrito pela Força-Tarefa da Lava Jato, na fase denominada Operação Integração, que revelou esquema de pagamentos de propinas por parte das concessionárias para membros do governo estadual, a partir de 1997, em desvios calculados em R$ 8,4 bilhões. O ex-governador Beto Richa (PSDB), seu irmão e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, e outras 33 pessoas, entre servidores, ex-servidores e pessoas ligadas à seis concessionárias de rodovias do Paraná, foram denunciados nesta segunda-feira (28) por participarem do esquema.
Segundo a denúncia, durante a investigação, foi constatado que a supressão ocorreu por consequência de influência da Econorte junto ao Estado desde 2016. "Constatou-se que havia pressão da cúpula do governo sobre Nelson Leal Júnior, então diretor do DER/PR, para assinatura deste aditivo. Ademais, Hélio Ogama (então diretor da Econorte) confirmou pagamento de propina a agente da Agepar em janeiro de 2018, período coincidente com a assinatura deste aditivo", traz a denúncia, que descreve também negociatas para a concessão de quatro degraus tarifários para as praças de pedágio da concessionária.


