MPF abre inquérito para apurar risco em depósito
Rio, 22 (AE) - O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para apurar suposto risco ambiental causado pelos rejeitos radioativos estocados em um depósito provisório do complexo nuclear de Angra dos Reis. Portaria assinada pela procuradora da República Anaiva Oberst Cordovil estabelece como providências iniciais o encaminhamento de ofícios à Eletronuclear - operadora do usina - , ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) requisitando informações sobre o depósito provisório, que guarda 2.100 toneladas de lixo atômico.
O engenheiro Alfredo Tranjan Filho, assessor da Presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), informou que o depósito "tem o aval da Cnen para funcionar". Segundo ele, não há licença ambiental para o funcionamento do galpão porque ele teria sido construído em 1980, antes da criação do Ibama. O engenheiro disse que o depósito não atende às normas do instituto porque "não foi construído sob o ponto de vista da atual legislação ambiental".
"Se isso tudo resultar na aprovação da lei sobre a questão dos rejeitos, que tramita desde 1988 no Congresso, em três anos teremos um depósito definitivo", disse. "A Cnen fica de mãos atadas enquanto não houver uma legislação que ampare seu trabalho, para a escolha do local."





