MPE procura mulher ligada ao tráfico no Rio
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 05 (AE) - O Ministério Público Estadual está à procura de uma mulher que seria a segunda pessoa no comando da organização liderada pelo traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Citada no depoimento de uma testemunha-chave ouvida ontem (04), essa mulher, de quem o MPE revelou apenas os dois primeiros nomes - Alda Inês -, teria um importante papel na operação e na contabilidade da quadrilha.
"Ela já sabe que estamos atrás dela e estamos quase chegando nessa mulher", anunciou o procurador-geral de Justiça, José Muiños Piñero Filho. "Muito provavelmente vamos pedir um mandado de prisão temporária, mas não agora, porque estamos querendo chegar a ela". Segundo ele, o MPE decidiu divulgar o nome de Alda Inês pelo fato de ela já ter percebido o cerco - uma operação conduzida pela central de inquéritos chegou a um local onde poderia achá-la e não a encontrou.
Piñero informou que o Ministério Público já tinha o nome dela, mas a testemunha - outra mulher - foi quem deu o nível de importância de Alda Inês na quadrilha. A identidade dela foi confirmada pelo Instituto Félix Pacheco. "Já conferimos que existe essa pessoa e as características de idade correspondem", disse ele. Alda Inês, segundo o procurador, é jovem e há informações de que viveu cinco anos com Beira-Mar.
Há também um casal, que pertenceria ao alto escalão da quadrilha, citado pela testemunha. O procurador, porém, não quis revelar os nomes. Essas três pessoas não aparecem no inquérito conduzido pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil.
O Ministério Público ouviu duas testemunhas ontem, em depoimentos que duraram até a madrugada. Uma limitou-se a descrever o esquema de extorsão praticado por policiais contra Fernandinho Beira-Mar, mas sem nomes. "Achamos até que foi algo encomendado pelo Fernandinho", disse Piñero. A outra, no entanto, revelou dados e detalhes fundamentais para as investigações.
Uma dessas informações é a existência de um apartamento, na zona sul, que serviria como um local onde pessoas da quadrilha apresentavam a mercadoria a compradores - pessoas de classe média alta que, para o MPE, não eram apenas usuárias, mas repassadoras da droga. "Vamos conseguir identificar com facilidade esse apartamento, saber quem é o proprietário, porque já temos os dados", afirmou.
A mulher revelou ainda nomes de políticos e empresários que tinham ligação com a quadrilha, embora tenha preferido não registrar por escrito todos eles. "Alguns ela não tinha idéia de qual era a ligação, sabia apenas que eram pessoas que falavam com Fernandinho", explicou o procurador. Fontes ligadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico informaram que existe uma agenda da quadrilha, com nomes conhecidos, em poder do MPE. Piñero, porém, não quis confirmar a informação. "Há referências a uma agenda e, se estivesse conosco, eu não revelaria", disse.
A testemunha apontou ainda o número de uma conta bancária na qual seriam feitos depósitos para o traficante. "Talvez a gente peça a ajuda da CPI para agir de forma mais rápida no Banco Central", disse. Ela contou ainda de pessoas que Fernandinho Beira-Mar teria mandado matar, com indicações de onde foram enterradas.


