São Paulo, 27 (AE) - A Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público Estadual (MPE) pode pedir ainda esta semana um novo afastamento de Celso Pitta (PTN), com base em outra ação civil pública por improbidade administrativa.
Segundo o promotor Fernando Capez, existem hoje, só na promotoria, 20 procedimentos investigatórios sobre o prefeito. Nove já viraram ações civis públicas. "Dentre esses procedimentos, pode sair outra ação esta semana, pedindo novamente o afastamento." Capez, porém, faz mistério sobre qual dos casos pode virar uma nova ação.
Na tarde de hoje, os promotores da Cidadania e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) reuniram-se com o procurador-geral de Justiça, José Geraldo Brito Filomeno, e os procuradores do Setor de Apuração de Crimes de Prefeito. O objetivo do encontro, que durou duas horas, era definir estratégias e avaliar a decisão do 4.º vice-presidente do TJ, Hermes Pinotti, que concedeu liminar garantindo a permanência de Pitta.
Após a reunião, cada promotor saiu com cópias de depoimentos e documentos referentes à contratação de funcionários fantasmas e irregularidades na Anhembi Turismo e Eventos, que podem ser usadas como base em nova ação.
De acordo com o promotor Saad Mazloum, a volta de Pitta pode prejudicar a investigação. "Para o Ministério Público, a cidade estava desgovernada e havia necessidade de afastamento." Mazloum não quis dizer qual será a estratégia da promotoria a partir de agora. "Temos diversas irregularidades, como a Anhembi e a viagem de Pitta à França", disse. "Estão sendo colhidas provas e, se for o caso, é possível abrir novas ações, pois os inquéritos que investigamos contêm fatos tão ou mais graves do que esse", afirmou Mazloum, referindo-se à ação que pediu o afastamento, na sexta-feira, com base no empréstimo de R$ 800 mil feito por Jorge Yunes.
Ações - Embora tenha condenações em primeira e segunda instâncias, Pitta conseguiu escapar dos efeitos da maioria dessas ações. A reportagem apurou que está em fase de conclusão o procedimento do MP que investiga a viagem do prefeito na Copa do Mundo. A Promotoria apura se as despesas da viagem teriam sido pagas por uma empresa francesa coligada à Vega, que presta serviços para a Prefeitura.
Além desse episódio, ainda existe a ação que investiga os precatórios, em que Pitta é acusado de lesar o patrimônio público na emissão de títulos. Na sequência, ele foi apontado por usar verba pública para se defender. Além disso, a Promotoria de Justiça da Cidadania investiga a compra de um Vectra por Nicéa e o empréstimo de Yunes.
Decap - Hoje, o Tribunal de Justiça (TJ) remeteu a Gerson de Carvalho, que comanda o Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), o pedido para que seja designado um delegado para presidir o inquérito policial contra Pitta. O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado na semana passada pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo.
O nome mais cotado para o caso é o do delegado Jorge Carrasco, titular da Delegacia Seccional Centro. De acordo com a assessoria do Decap, até o fim da tarde o documento ainda não tinha chegado e o nome do delegado não havia sido escolhido pela cúpula da Polícia Civil e pelo secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petreluzzi.
Pitta é acusado de corrupção ativa. Em depoimento ao MP, Nicéa e seu filho, Victor, disseram que o prefeito teria dado R$ 1 milhão ao presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), para que os vereadores não votassem a abertura um processo de impeachment.

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