São Paulo, 03 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia hoje contra a vereadora de São Paulo Maria Helena (PL) e mais nove pessoas ligadas a ela, entre elas seu filho, Paulo Neme. Todos são acusados de participação em um esquema de irregularidades na administração municipal. A parlamentar, presa desde o dia 21 de dezembro do ano passado, foi denunciada por peculato, formação de quadrilha e coação de testemunhas.
A denúncia foi encaminhada para a 8ª Vara Criminal e, caso seja acatada pelo juiz, as dez pessoas serão processadas. "Há provas materiais e testemunhais que sustentam a acusação", disse o promotor Roberto Porto. Até as 18 horas o advogado de Maria Helena, Nadir Tarabori, não havia sido localizado pela reportagem para falar sobre a denúncia.
Os denunciados são pessoas ligadas à vereadora, a maioria funcionário de seu gabinete, na Câmara. "Havia ali uma organização criminosa centralizada na pessoa da vereadora", disse o promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior, do Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco). O principal subsídio dos promotores foram as investigações feitas pela Polícia Civil. A vereadora responde a pelo menos três inquéritos policiais.
No texto, os promotores destacam que "a quadrilha tinha como objetivo primordial auferir recursos financeiros de forma ilícita, apropriando-se de dinheiro público e sustentando o nome da líder Maria Helena no cenário político deste município de São Paulo."
Entre as acusações contra Maria Helena, está a cobrança de parte dos salários de funcionários de seu gabinete, na Câmara de Vereadores de São Paulo. Paulo Neme, que trabalhava no gabinete ao mesmo tempo que era investigador de polícia, era o responsável por cobrar o funcionário que deixava de pagar o "pedágio" mensal, salientaram os promotores.
Vega - A vereadora também é acusada de irregularidades na Administração Regional da Freguesia do à, que ela controlava politicamente. Uma delas é a suposta utilização de uma kombi da empresa Vega Ambiental S.A. para fins particulares. A empresa é responsável pelos serviços de limpeza na região da Freguesia do à e a concessão de veículos faz parte do contrato com a Prefeitura.
A vereadora cumpre prisão preventiva no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi). Ela é acusada de coagir testemunhas durante as investigações policiais.