MPE e polícia começam a avaliar documentos e computadores apreendidos sexta Fabio Diamante
São Paulo, 02 (AE) -A força-tarefa do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil iniciam amanhã (03) a análise de documentos e computadores apreendidos na sexta-feira, na Secretaria do Governo e na casa do secretário Carlos Augusto Meinberg. Para o MPE, o conteúdo do material passa a ser o centro das investigações sobre o esquema de corrupção na administração municipal de São Paulo.
O material apreendido, 15 CPUs (centrais que armazenam os arquivos dos computadores) e 3 caixas de documentos, podem conter dados que comprovem as denúncias da ex-primeira-dama Nicéa Pitta e de seu filho, Victor Pitta. Segundo Nicéa, Meinberg é o responsável pelo pagamento e a distribuição de propina aos vereadores governistas. Os parlamentares teriam recebido dinheiro para aprovar projetos, arquivar o pedido de impeachment contra o prefeito Celso Pitta (PTN) e barrar a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais.
Caso seja necessário, os computadores serão enviados ao Instituto de Criminalística (IC) para perícia. Isso poderá ocorrer se os equipamentos estiverem protegidos por senhas. Depois de analisar o material, a polícia intimará Meinberg e alguns assessores para interrogatório.
A busca e apreensão foi determinada pelo juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo), Maurício Lemos Porto Alves. O pedido foi feito pela promotoria por meio do inquérito policial que apura a existência de esquema de extorsão na São Paulo Transporte (SPTrans), para liberação de lotações apreendidas.
Lista - A lista anônima enviada à promotoria, que registra supostos pagamentos feitos a vereadores, não está sendo considerada o principal foco da investigação. A informação foi dada hoje pelo promotor José Carlos Blatt, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O documento traz o nome de sete vereadores. Ao lado, números revelam que os acusados teriam recebido R$ 3,1 milhões para facilitar a aprovação de projetos. Segundo Blatt, a relação não pode nem ser considerada um indício. "É apenas uma denúncia anônima", frisou o promotor. O Gaeco, segundo ele, recebeu, no ano passado, mais de 2 mil denúncias anônimas. "E muitas não eram procedentes."
Os vereadores que estão na lista são: Brasil Vita (PPB), Maria Helena Fontes (suspensa do PL), Alan Lopes (PTB), Toninho Paiva (PFL), Miguel Colasuonno (PMDB), Milton Leite (PMDB) e Osvaldo Enéas (ex-Prona).Ao lado de cada nome da lista constam os telefones dos parlamentares e números de seis dígitos que, de acordo com o denunciante anônimo, referem-se às datas em que foram feitos os pagamentos e aos valores entregues a cada parlamentar.
Números - O anônimo que enviou a lista ao Gaeco explicou
por telefone, como os números deveriam ser decifrados. A ligação não foi rastreada. O denunciante também enviou uma carta com as explicações, conforme prometera por telefone.
Os quatro primeiros dígitos representariam a data do pagamento e os dois últimos o valor do suborno. O primeiro número que aparece ao lado do nome de Maria Helena, por exemplo, é 080740. Se a denúncia for verdadeira, em 8 de julho a vereadora teria recebido R$ 40 mil. No total, Maria Helena teria lucrado R$ 410 mil com a suposta propina.
Pela lista, Milton Leite seria um dos que mais arrecadaram com o esquema. Se os números estiverem corretos, ele recebeu R$ 650 mil - R$ 300 mil entre setembro e outubro. Ele foi o relator da CPI dos Fiscais.
Brasil Vita, segundo o documento, teria recebido R$ 554 mil em oito meses. Os vereadores Alan Lopes e Toninho Paiva, de acordo com os números relacionados a seus nomes, teriam recebido R$ 375 mil cada.
Miguel Colasuonno, conforme a lista anônima, teria recebido R$ 425 mil. O último vereador que aparece no documento é Osvaldo Enéas. Ele teria arrecadado R$ 320 mil com o esquema de propina na Câmara Municipal.
Colassuno negou as acusações. "Estou perplexo pela forma como denúncias vazias passam a ter valor e uma acolhida tão grande", disse o vereador.Maria Helena declarou, por meio de sua assessoria, que nunca recebeu nenhum tipo de propina.Os demais parlamentares não foram localizados para comentar a existência da lista. Meinberg também foi procurado pela reportagem, mas não respondeu às ligações.
O documento anônimo relata que cinco vereadores do PT também recebiam dinheiro. O líder do PT na Câmara, José Eduardo Cardozo, negou o envolvimento de qualquer integrante do partido no esquema. O vereador Dalton Silvano (PSDB) também é citado pela denúncia. Ele também negou as acusações.
Sigilo - De acordo com Blatt, é "prematuro" falar sobre quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico dos vereadores. "Não vamos requerer nenhuma diligência por enquanto." O promotor sustenta que são necessárias mais provas para fazer o requerimento à Justiça. "Só após a análise do que foi apreendido é que decidiremos quais providências serão tomadas."
A busca e apreensão de sexta-feira pode ter vazado para o secretário Meinberg. Duas CPUs não foram encontradas em sua casa. Parentes dele disseram na ocasião que os equipamentos tinham sido mandados para conserto. Não informaram, porém, o nome do técnico ou loja responsável, muito menos apresentaram uma nota fiscal do serviço.





