MPE denuncia vereador por peculato
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 27 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia hoje contra o vereador Dito Salim (PPB). O parlamentar é acusado de peculato ao reter parte dos salários dos funcionários de seu gabinete, na Câmara Municipal. Pelos cálculos do MPE, Salim teria se apropriado de cerca de R$ 500 mil desde que assumiu seu cargo na Câmara, em 1996.
As investigações começaram em janeiro e, segundo o promotor Gilberto Garcia Leme, os funcionários procuraram o MPE para denunciar que, todo mês, tinham de devolver parte de seus salários para o vereador. Começou então uma série de investigações, inclusive na polícia, onde foi registrado um boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial (Sé).
Na denúncia, os promotores salientaram que, todo mês, Salim se apoderava dos demonstrativos de pagamento e verificava os valores pagos como gratificação de gabinete. Em seguida, exigia que todos sacassem no banco o valor da gratificação e entregassem para ele. Os funcionários aceitavam a ordem sem reclamar, pois acreditavam que o dinheiro, por tratar-se de gratificações, realmente pertencia ao vereador.
Os promotores solicitaram a quebra do sigilo bancário do vereador e de todas as testemunhas. "A do vereador não chegou, mas as provas que conseguimos foram suficientes para oferecer a denúncia", disse o promotor Leme. Ele refere-se às informações relativas às contas bancárias dos funcionários que acusam o parlamentar.
Saque - "Comprovamos que os funcionários sacavam parte do salário no dia do pagamento ou no dia seguinte", afirmou o promotor Leme. A promotoria também contou com fitas de vídeo e cassete em que testemunhas comprovam a denúncia contra o parlamentar.
Caso seja processado, o vereador deve responder por peculato continuado. "Foi continuado porque a exigência era feita todos os meses, desde que ele assumiu o cargo na Câmara", disse o promotor Leme, que calcula uma pena de até 30 anos para Salim, caso ele seja condenado. O vereador não foi localizado pela reportagem.
Na semana passada, Salim foi indiciado por prevaricação pelos delegados da força-tarefa que investigam a máfia dos fiscais. Ele é suspeito de ter participado de um esquema de cobrança de propinas na Administração Regional de Itaquera.


