São Paulo, 18 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) oferecerá denúncia contra 12 pessoas acusadas de participação no esquema de cobrança de propinas na Administração Regional da Sé. Entre elas, o ex-secretário das Administrações Regionais e Serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli.
Savelli foi indiciado no mês passado por prevaricação e formação de quadrilha. Também serão denunciados o ex-administrador regional da Sé João Bento, o presidente da Associação Comercial do Brás (Acob), Wehbe Youssef Da Walibe, e o ambulante Gilberto Monteiro da Silva, acusado de "lotear" o Viaduto Santa Efigênia.
O secretário é acusado de omissão no episódio da venda de barracas para ambulantes nos bolsões instalados na região central, no ano passado. Segundo depoimentos prestados à polícia
a empresa W.Sita teria tentado forçar os ambulantes dos bolsões a comprar barracas padronizadas por, em média, R$ 1,2 mil. Nenhuma providência teria sido tomada por Savelli, que na época era Secretário das Administrações Regionais.
Na denúncia, que será formalizada pelo Ministério Público Estadual na 4ª Vara Criminal, Savelli também será denunciado por concussão.
Caso o juiz acate as denúncias, todos serão processados e poderão ser condenados a, no mínimo, dois anos de prisão.
O vereador Cosme Lopes (PPB) colocou suas contas bancárias à disposição da polícia. O vereador foi citado no inquérito que apura suposta cobrança de propinas na Administração Regional do Jaçanã-Tremembé. Dois assessores do vereador são acusados de receberem dinheiro da empresa Labitare, que abriu vários loteamentos na região.
O depoimento de Lopes durou cerca de duas horas. "Até agora não há nenhuma denúncia formal contra mim", disse Lopes, que afastou os dois funcionários, assim que tomou conhecimento das denúncias. "Quero que tudo seja esclarecido o mais rápido possível", disse o vereador Lopes.
No fim da tarde, o delegado Romeu Tuma Júnior, que investiga o caso, encaminhou um ofício de férias ao diretor do Departamento de Registros Diversos, Eduardo Hallage. Até o início da noite, porém, o delegado não havia se pronunciado sobre a decisão.
Hoje, a polícia ouviu o funcionário da Enterpa José Luis de Araújo, que teria pago propinas para funcionários da Administração Regional da Penha. O teor do depoimento, porém, não foi revelado.

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