São Paulo, 31 (AE) - O concurso para ingresso na carreira de promotor de Justiça foi anulado por suspeita de fraude e violação de sigilo. A decisão foi tomada pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Marrey, presidente da Comissão de Concurso do Ministério Público Estadual - órgão que tem atribuição constitucional para investigar corrupção e atos lesivos ao Tesouro. A fraude teria beneficiado oito candidatos, todos da cidade de Marília, que tiveram acesso a informações privilegiadas sobre questões lançadas na prova escrita.
Um dos integrantes da banca examinadora, o procurador de Justiça Artur Pagliusi Gonzaga, está sob suspeita. Ele pediu aposentadoria - concedida imediatamente e publicada no Diário Oficial de sábado - depois de ser convocado para dar explicações na Procuradoria-Geral. Pagliusi, 55 anos, foi professor de uma fundação que mantém um cursinho preparatório de carreiras jurídicas em Marília. Os candidatos favorecidos foram alunos desse cursinho.
Habituado a investigar falcatruas em provas de seleção de outras carreiras do funcionalismo, o MPE vive pela primeira vez uma experiência desse tipo. Jamais um concurso da instituição havia sido anulado. O concurso para promotores é reconhecido como um dos mais rigorosos do País. O 81.º concurso da categoria foi aberto há oito meses. Inscreveram-se 6.659 candidatos para 100 vagas.
O concurso já havia alcançado a terceira etapa - depois dos testes preambulares, foi realizada a prova escrita. Para o exame oral sobraram apenas 162 candidatos. A denúncia sobre irregularidades na prova escrita foi feita por um juiz e um promotor de Marília. Eles foram informados que uma jovem candidata, amiga de Pagliusi, fora contemplada com a relação de questões que seriam aplicadas no teste escrito.
Antes da prova, a própria candidata consultou o promotor e o juiz para que a auxiliassem a responder as perguntas. O vazamento de informações protegidas pelo sigilo chegou ao conhecimento do procurador-geral. Luiz Antonio Marrey mobilizou uma equipe de promotores do Setor de Competência Originária para investigar o caso. A Comissão de Concurso foi avisada. Além de Marrey, compõem a banca os procuradores Nélson Gonzaga de Oliveira, Walter Paulo Sabella e Washington Epaminondas Medeiros Barra. Também faz parte da comissão um representante da Ordem dos Advogados Brasil, Renato Luiz de Macedo Mange.
O sexto integrante da banca era o procurador Artur Pagliusi, que pediu aposentadoria na quinta-feira. Hoje, a comissão se reuniu e convocou o procurador Plínio Antonio Brito Gentil para assumir o lugar de Pagliusi. Por votação unânime, a comissão declarou a nulidade das provas já realizadas diante da "existência de indícios de violação de sigilo".
Marrey determinou a abertura de procedimento criminal sobre violação de sigilo e prevaricação. O caso provocou revolta e indignação no Ministério Público. Promotores e procuradores estão inconformados com a fraude no concurso. "É preciso deixar claro que o Ministério Público não varre o lixo para debaixo do tapete", disse Marrey.

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