MP vai recorrer contra libertação de fazendeiro
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Agência Folha 
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O grupo especial do Ministério Público que acompanha a questão fundiária no Pontal do Paranapanema (extremo-oeste do Estado de São Paulo) vai recorrer da decisão da Justiça de conceder liberdade provisória a cinco acusados de ferir à bala trabalhadores sem-terra na região.
Manoel Domingos Neto, 18, e quatro seguranças da fazenda São Domingos foram soltos no início da semana, por ordem do juiz de Pirapozinho (SP), Darci Lopes Beraldo, para responder o processo em liberdade. Eles são acusados de, no dia 23 de fevereiro, atingirem oito sem-terra durante tentativa de invasão da fazenda, em Sandovalina (640 quilômetros a oeste de São Paulo).
O grupo do Ministério Público - constituído por seis promotores nomeados pelo procurador-geral do Estado, Luiz Antonio Marrey - argumenta que o recurso é para garantir a ordem pública.
O advogado da família do fazendeiro, Coraldino Sanches Vendramini, disse considerar difícil uma revisão da decisão da Justiça. É um direito constitucional responder em liberdade, porque ainda não houve julgamento, afirmou. O fazendeiro Osvaldo Fernandes Paes, pai de Neto, contratou o criminalista Alvaro Ferri Filho para a defesa. O advogado deve apresentar hoje defesa prévia e arrolar testemunhas.
Diolinda Alves de Souza, uma das líderes do MST no Pontal do Paranapanema, disse ontem que o movimento vai pedir a organizações internacionais que pressionem o Poder Judiciário a revogar os pedidos de prisão preventiva de cinco líderes do movimento, entre eles José Rainha Júnior. Entre as organizações, Diolinda citou a Anistia Internacional e entidades da Alemanha, Itália e França.
Esse é o encaminhamento que foi tomado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A pressão vai ser dada dessa forma: pedir que as organizações se envolvam no processo, pois a questão é política, afirmou.
Diolinda classificou a questão de delicada. O Márcio (Barreto) tem filho e está preso (ele é o único dos cinco líderes a ser preso). Rainha (José Rainha Júnior, seu marido) tem filho e está fora. São situações muito dramáticas, disse. Diolinda participou ontem do 12º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que termina hoje em Santo André (Grande São Paulo).


