MP vai investigar milícia de fazendeiros
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terça-feira, 18 de março de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar denúncia apresentada ontem pela organização não-governamental Terra de Direitos, em conjunto com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contra o fazendeiro Humberto Sá e outros proprietários de terra da região Centro-Oeste do Estado, que constituíram o chamado Primeiro Comando Rural (PCR) e estariam contratando ''pistoleiros'' para defender suas propriedades rurais. A denúncia será encaminhada, hoje, à Ouvidoria Agrária Nacional, ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
De acordo com a assessoria de imprensa do MPF, assim que recebeu a denúncia, o procurador Mário Gisi anunciou que vai solicitar a instauração de um inquérito pela Polícia Federal. Disse também que ''o Ministério Público Federal tomará todas as providências que o caso merece''. Segundo a assessoria, Gisi entende que a organização do comando pelos fazendeiros caracteriza formação de quadrilha e uso ilegal de armamento.
O documento também foi protocolado na tarde de ontem no Ministério Público (MP) estadual. A assessoria do órgão informou que a denúncia será encaminhada à Procuradora Geral de Justiça, Maria Tereza Uille, que decidirá sobre as providências a serem tomadas.
A denúncia, segundo o coordenador da Terra de Direitos, Leandro Franklin, baseia-se em reportagens de jornais e televisão, onde fazendeiros admitiram que estariam contratando seguranças armados para defender suas terras. ''Infere-se disso, a evidente intenção de formação de uma milícia privada de repressão aos movimentos sociais, de forma a intimidar a organização dos trabalhadores rurais para fins de reforma agrária'', diz o documento.
O documento reúne ainda depoimentos de trabalhadores rurais sem-terra que teriam sido vítimas das primeiras ações do PCR. De acordo com Franklin, os sem-terra acampados na região de Laranjal (170 quilômetros a oeste de Guarapuava) acusam ''pistoleiros fortemente armados'' de estarem fechando estradas, revistando as pessoas que passavam perto de fazendas em direção à cidade. O fato teria ocorrido nos dias 8 e 9 deste mês.
Relata ainda a denúncia que no último dia 9, por volta das 18 horas, um veículo da Prefeitura de Laranjal e duas camionetes, que passavam por uma fazenda da região, que dá acesso ao Assentamento Chapadão e Assentamento Bela Vista, ''foram atacadas por diversos pistoleiros, que fizeram os motoristas descerem dos carros e ameaçaram mulheres e crianças''. Ainda com o intuito de intimidar os sem-terra, ''pistoleiros'' de uma outra propriedade estariam dando tiros em volta do acampamento, que fica na rodovia de acesso a cidade de Nova Cantu e Roncador (respectivamente, 120 e 100 quilômetros ao sul de Campo Mourão).


