Rio, 21 (AE) - Nesta semana o Ministério Público começa a apertar o cerco ao empresário carioca Henrique Vale, proprietário de uma fazenda em Angra dos Reis, no litoral sul do RJ, na qual há três pistas de pouso clandestinas. De acordo com a polícia, elas teriam sido usadas pelo Cartel de Medellín, por intermédio de Evandro José dos Passos Junior, primo do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernando Beira-Mar, alvo da CPI do Narcotráfico.
Denunciado pela morte do empresário Mário Toledo, Vale é suspeito de ser um dos homens-forte do crime organizado no RJ, com ramificações em outros Estados e na Colômbia. O Ministério Público quer avaliar o depoimento do traficante Aryzoli Trindade Sobrinho, prestado à CPI do Narcotráfico, em Campinas, São Paulo
por considerar que pode haver ligação de Henrique Vale com o empresário paulista Willian Sozza. Sobrinho informou que Sozza e seu advogado Artur Eugênio Mathias, que está preso, são ligados a Beira-Mar. O traficante carioca estaria ainda escondendo Sozza
em Capitán Bado, no Paraguai.
"Vou pedir aos deputados da CPI do Narcotráfico os depoimentos de Campinas", disse hoje o procurador-geral de Justiça do Rio, José Muiños Piñeiro Filho. "Tem muita coisa que diz respeito ao Rio." Piñero também vai analisar uma fita com a conversa de Beira-Mar com a promotora Márcia Valesco, da Central de Inquéritos de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O traficante - que teria se comunicado através de um rádio, já que não foi possível descobrir a origem da ligação - disse na conversa que pretende, inicialmente, provar que sua família não tem envolvimento com os seus negócios. Garantiu que tem sido vítima de extorsão e pretende denunciar os policiais que não cumpriram os acordos feitos com ele."É incrível que mesmo os policiais que o extorquiram ele pretende preservar. Denunciará apenas aqueles que não cumpriram o acordo."

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