Rio- O juiz Alexander Macedo, acusado de beneficiar o ex-deputado Sérgio Naya em prejuízo do pagamento das indenizações aos ex-moradores do edifício Palace 2, pode ter de responder por crimes contra a administração pública, como corrupção passiva e concussão (corrupção praticada por funcionário público). O juiz é suspeito de manter ligação estreita com Naya, conforme mostram documentos apreendidos pela Polícia Federal.
O Procurador-Geral do Estado, Antônio Vicente da Costa Junior, irá analisar os papéis encontrados com o ex-deputado (duas agendas, de 2003 e 2004, e anotações soltas) quando ele foi preso, em Porto Alegre, no último dia 15, para então decidir se irá ou não propor ação pública contra o juiz.
Os documentos indicam que Macedo tinha relação próxima com Sebastião Bucar Nunes, funcionário de confiança de Naya. Num deles, está escrito que ele pediu dinheiro a Naya para se hospedar num hotel próximo de onde Macedo mora. Entregues pela PF ao juiz Cairo Ítalo David - responsável pelo processo em que Naya é acusado dos crimes de falsidade ideológica e falsificação de documentos durante o processo principal, conduzido por Macedo - e encaminhados ao presidente do TJ, Miguel Pachá, os papéis passarão por exames periciais que irão atestar sua veracidade.
Segundo anotações, em pelo menos uma reunião e um jantar, que teriam ocorrido em janeiro, aos quais também teria comparecido o liquidante judicial, Ubiratan José de Miranda Costa, Macedo, então juiz substituto da 4 Vara Empresarial, teria informado a Nunes antecipadamente decisões que tomaria em relação ao processo de liquidação dos bens de Naya para o ressarcimento das vítimas. Costa e Nunes foram procurados ontem pela reportagem, mas não foram localizados.
O magistrado teria liberado para Naya parte dos bens, apesar de eles estarem bloqueados pela Justiça. O promotor Rodrigo Terra quer que as vendas sejam anuladas para que os pagamentos sejam finalmente feitos. As famílias que moravam no Palace 2 esperam pelo dinheiro há seis anos.
Macedo avisou que só falará sobre o assunto com jornalistas através de seu advogado, Carlos Roberto de Siqueira Castro. Este está viajando a trabalho e não deu entrevista. Ao presidente do TJ, Macedo enviou uma declaração em que rebate todas as denúncias. Ele disse que nunca teve qualquer relação com Sebastião Bucar Nunes e que jamais jantou com ele.
Nos dias em que, segundo os documentos, eles teriam se encontrado, Macedo estaria em Minas, com a família. ''Usei meu cartão de crédito nessas duas noites e toda a cidade me conhece e me viu lá'', afirmou. Macedo afirmou que quase todos os bens de Naya continuam bloqueados pela Justiça e que o montante é mais do que suficiente para indenizar as vítimas.
O advogado Nélio Andrade, que representa os ex-moradores, defende a quebra de sigilo telefônico e fiscal de todos os envolvidos, incluindo o juiz. Joaquim Flávio Spíndula, advogado de Naya, disse que não acredita que haja relação promíscua entre Nunes e Macedo.

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